Revisitando os Ultra filmes no Brasil #3 – Ultraman Tiga: A Odisseia Final (2000)

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A volta triunfal de Tiga nas telonas

Após uma fase onde a Tsuburaya tentava solidificar sua franquia, em setembro de 1996 surgia na TV japonesa a série Ultraman Tiga. Um acerto em cheio da produtora que conseguiu chamar atenção do público infanto-juvenil com boas doses de drama, romance e suspense. O sucesso rendeu uma continuação direta – Ultraman Dyna, que gerou um crossover com seu antecessor no cinema. Ambos os heróis voltariam mais tarde no filme de Ultraman Gaia. Mas o público japonês queria mesmo era ver uma volta triunfal de Tiga e que não fosse apenas mais uma mera participação especial.

Seis meses depois do final de Gaia na emissora TBS, um novo filme da franquia foi lançado nos cinemas do Japão, em 11 de março de 2000. E desta vez era prometido algo digno da série do Guerreiro da Luz. Ultraman Tiga: A Odisseia Final se passa dois anos após o fim da série (alguns anos antes dos eventos de Ultraman Dyna). A equipe da GUTS fica ciente da identidade do gigante, que usou Daigo Madoka como hospedeiro. Agora o jovem está noivo de Rena Yanase, sua parceira de equipe, e os dois tentam levar uma vida comum longe das lutas contra monstros e seres espaciais.

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A vilã Kamilla atormentado Daigo

O estopim da então nova aventura se dá quando a Capitã Iruma investiga ruínas da recém encontrada ilha Ruruie e descobre três estátuas que são da mesma linhagem do gigante de Tiga. Os três gigantes – Kamilla, Hyudra e Dahram – despertam e iniciam os seus planos de dominar a Terra com o poder das trevas. Daigo é a maior vítima, que por ser o hospedeiro de Tiga é atormentado por visões. Isso porque o gigante, outrora conhecido como Dark Tiga, é chamado para voltar a se aliar aos inimigos.

Ultraman Tiga: A Odisseia Final, além de agradar o público local da série de TV, serviu como desfecho da saga de um dos grandes heróis japoneses apresentados também na TV brasileira. E voltou em grande estilo, com os elementos que ajudaram a consagrar a série. Sem contar com a excelente trilha sonora de Tatsumi Yano. Afim de criar uma ligação com Ultraman Dyna, os membros da futura Super GUTS aparecem para auxiliar os antigos oficiais. A última cena do filme é o ponto chave importante para a ligação das duas séries.

Não por se tratar de um filme de um herói exibido (sem final) na Record, mas A Odisseia Final é um dos melhores filmes de Ultraman já exibidos no Brasil. A Mundial Filmes tinha planos de levar esse mesmo longa para os cinemas brasileiros, apostando que Tiga tinha tudo para fazer sucesso e fazer por merecer uma popularidade que merecia. Mas infelizmente Ultraman Tiga saiu do ar no mesmo dia em que as masters de Ultraman Dyna chegaram ao Brasil. O que causou desistência da licenciadora em investir no projeto. Se a Record acreditasse no potencial da série tokusatsu, talvez esse A Odisseia Final ganhasse uma certa repercussão como aconteceu por lá com o primeiro filme do Arquivo X.

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A equipe da Super GUTS, de Ultraman Dyna

Felizmente o elenco de dublagem de Dyna estava escalado antes da chegada do material vindo da Tsuburaya. E pudemos conferir esta formação neste filme e anos mais tarde também no filme Ultraman Tiga & Ultraman Dyna: Os Guerreiros da Estrela da Luz (1998). Em 2006, o filme A Odisseia Final foi lançado em DVD pela Impact Records, junto com Ultraman: The Next. Ambas tiveram dublagem do estúdio carioca Áudio News, do dublador Marco Ribeiro (a voz de Yusuke Urameshi do anime Yu Yu Hakusho), que havia trabalhado com a série televisiva do Tiga. Destaque para a interpretação de Miriam Ficher como Kamilla (Camearra) que acabou dando um tom que lembra um pouco as vilãs de novela mexicana. E aqui não é um exagero. Quem acompanhou o clímax do filme, poderá entender a omparação.

Ambos os filmes foram relançados em setembro de 2011 em DVD pela Focus Filmes, como inclusão de outros filmes de Ultraman até então inéditos no Brasil.

Ultraman Tiga: A Odisseia Final esteve disponível nos canais de streaming Netflix e Looke.

*Resenha publicada originalmente em 18 de março de 2016. O texto foi devidamente revisado e atualizado.


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