
Sequência de Kamen Rider Black e baseada no mangá de Shotaro Ishinomori, este clássico teve exibição original/simultânea pelas emissoras japonesas MBS e TBS entre 23 de outubro de 1988 e 24 de setembro de 1989. Indo ao ar regularmente aos domingos às 10:00 JST. Vale lembrar que houve um especial que foi apresentado entre o final de Black e a estreia da então nova série, em 16 de outubro de 1988. Este era chamado de Kamen Rider 1-gô (Ichigô)~RX Daishugou, onde foi apresentada uma retrospectiva a partir da primeira série da franquia para promover o lançamento do então “novo” herói.
Kamen Rider Black RX foi a última série da era Showa, uma vez que o período vigorado ainda era do Imperador Hirohito. Por conta de sua morte no dia 7 de janeiro de 1989 (sábado), houve um atraso de uma semana nos episódios previstos da série e também em outras séries tokusatsu como Liveman, Jiraiya e Cybercop. Além de animes apesentados nos fins de semana. O episódio 11 – que foi ar em 15 de janeiro de 1989 – foi o primeiro da franquia durante a então recém-inaugurada era Heisei. Mas por ter sido lançado em 1988, RX é genuinamente Showa e a última série televisiva da franquia daquele período. Por questões canônicas, a Toei optou ainda por enquadrar os filmes Shin Kamen Rider: Prologue (de 1992), Kamen Rider ZO (de 1993) e Kamen Rider J (de 1994) como sendo parte da era Showa, quando de fato eles foram lançados na era Heisei.
O renascimento de uma lenda

Issamu Minami
Tudo começa algum tempo após o fatídico fim do Império Gorgom. Algumas fontes afirmam ter se passado cerca de seis anos. Tal passagem pode ser justificada pela menção da data de nascimento de Hitomi ser de 22 de outubro de 1988 e ela ter apenas 6 anos de idade. Dando a impressão de que a série se passaria entre o final de 1993 e o final de 1994. Ainda assim há um furo de roteiro, pois aqui é mencionado Issamu Minami ter 20 anos. Uma vez que ele tinha 19 durante os eventos de Kamen Rider Black.
Em tempo, Issamu (Kotarou) Minami teria sido adotado pela Família Sahara, constituída por seu tio Shunkichi (originalmente não ele não teria parentesco direto com o herói, mas isso mudou com a confirmação em recentes materiais oficiais), sua esposa e os filhos Shigeru e Hitomi. Ele já não tinha pra onde ir com o abandono de Satie (Katsumi) e Kyoko. Agora ele passa a trabalhar como piloto de helicóptero pra sua nova família e recomeça sua nova vida. A redenção foi mais que justa. Issamu agora teria uma namorada ao seu lado. Seu nome é Reiko Shiratori.
Numa certa noite, Issamu é abduzido por uma nave-mãe alienígena de forma monstruosa/mecânica e é perseguido por ser Kamen Rider Black. Seus novos inimigos são do Império Crisis, que quer dizimar a Terra e transformar nosso planeta numa colônia de crisianos. Após sofrer um ataque, o herói é milagrosamente salvo pelo seu cinto King Stone, que recebe uma irradiação solar. Assim o dispositivo de transformação evolui-se para Sunriser e Issamu renasce como Kamen Rider Black RX.
A série tem várias sagas interessantes. Uma delas começa quando Hitomi Sahara é sequestrada pela bruxa Maribaron para assumir a identidade da Princesa Garonia, que teria morrido por um descuido. Para salvá-la, RX é enviado clandestinamente pelo Robô Kaima Desgaron (Deathgaron) para o mundo Kaima. É nesta saga em que RX adquire mais duas formas: O Príncipe da Tristeza Roborider e O Príncipe da Ira Biorider*. Sendo assim o primeiro Rider da história a ter mais de uma forma.
*Nota: a pronúncia correta seria “Baio Rider” [バイオライダー], mas a dublagem optou mesmo seguir pela escrita.

Neste mesmo tempo, Issamu conhece Joe Kazumi (Kazumi no Joe). Um terráqueo que teve parte de sua memória apagada por Crisis e logo se tornou um irmão adotivo. Ou melhor, o maior aliado de RX na luta contra a vilania. Ainda no mundo Kaima, Shigeru também é sequestrado e descobre que Issamu é na verdade o Kamen Rider.
Durante a série, Shadow Moon, que havia sido derrotado na batalha final contra Gorgom, teria ressurgido do inferno misteriosamente. Sem as lembranças como Nobuhiko Akizuki e muito menos como o outrora candidato a Imperador Secular, Shadow Moon tem apenas uma missão em mente: destruir o Kamen Rider.
Crisis ainda conta com o reforço de Dasmader, um representante direto do Imperador. A partir daí o próprio império sofre uma certa crise de subsistência. Nos episódios finais da série, Issamu recebe a ajuda dos 10 Kamen Riders veteranos, que defenderam a paz antes dele. Fato este que poderia ter acontecido antes nos episódios finais de Kamen Rider Black (ok, fica pra outro assunto). Mas foi um momento marcante e ímpar para a época.

Maribaron, General Jark, Bosgan e Gatezone
Kamen Rider Black RX pode não ter aquele tom dark que teve sua antecessora, por um justo motivo. Issamu reconstruiu a sua vida e para manter (ou tentar, pelo menos) teria que lutar contra seus novos inimigos. E não foi lá uma série ruim que venha a estragar a imagem de Issamu Minami como dizem meia dúzia de “viúvas do Black”.
De suspense/terror, a coisa teria que se reinventar e passar a ter alguns elementos espaciais, alienígenas, extraterrenos ou coisas do gênero. Teve alguns momentos bizarros, mas nada que viesse a comprometer o enredo. Muito pelo contrário, quem for fã de Kamen Rider e de tokusatsu dos anos 80 pode se divertir tranquilamente.
Fora da TV

Black RX rendeu um filme 3D de apenas 17 minutinhos intitulado Kamen Rider: Sekai no Kakeru. Lançado em 29 de abril de 1989, o filme mostrou RX lutando ao lado de Black, Roborider e Biorider como resultado de uma inexplicável (e esquisita) distorção realizada por uma intervenção temporal de Crisis. No qual os Gorgom também aparecem mais uma vez. Algumas cenas de ação voltariam como flashback no filme Kamen Rider World (1994), onde Shadow Moon retorna mais uma vez do mundo dos mortos e agora agigantado.
A série também teve um mangá intitulado Kamen Rider Black RX -After 0-, onde a trama se passaria logo após o final da série de TV e apresenta White RX (ou Another RX), Shadow Moon com poderes de RX e Grande Rei (Another Shadow Moon); o resultado da absorção dos dois King Stones. A história é dividida em quatro capítulos.
Além do astro Tetsuo Kurata, o elenco foi composto por alguns rostos conhecidos do tokusatsu. Reiko foi interpretada por Makoto Sumikawa (na época assinava como Jun Koyamaki), a Lady Diana de Spielvan; Joe Onodera, o filho de Shotaro Ishinomori, aparece na série como o cozinheiro Goro. O mesmo já havia apresentado o especial Kore ga Kamen Rider Black da!! (que antecedeu a estreia de Black), além de ter participado do episódio 42 de Kamen Rider Black e sem contar outras séries japonesas como Machineman, Sukeban Deka, Jiban, Solbrain, Janperson, Ultraman Dyna, Ultraman Max, etc; A atriz Atsuko Takahara, conhecida na série Jaspion como a bruxa galática Kilza, viveu a vilã Maribaron; Megumi Ueno, a Kasumi de Jiraiya, interpreta a garota extra-sensorial Kyoko Matoba; O ator/dublê Toshimichi Takahashi – rosto conhecido em vários clássicos das séries Super Sentai e Metal Hero – foi o dublê dos vilões General Jark e Gatezone. Em Kamen Rider Black ele interpretou o vilão Baraon; E o seiyu (dublador) Masaki Terasoma voltara a interpretar Shadow Moon; O ator Rikiya Koyama, que também é seiyu, é conhecido no Japão por dublar o ator Jack Bauer (interpretado por Kiefer Sutherland) na série 24 Horas; Todas as formas de RX foram interpretadas pelo veterano/renomado dublê Jiro Okamoto.

No Brasil
Kamen Rider Black RX estreou na extinta Rede Manchete em 24 de julho de 1995 e inicialmente era exibido às segundas, quartas e sextas às 9h30 e às 17h35. Como parte do programa Dudalegria e da Sessão Super-Heróis, respectivamente. Revezando com Solbrain que passava a ser exibido desde então às terças e quintas nos mesmos horários.
A chegada da série ao Brasil veio por intermédio da Tikara Filmes (antiga Everest Vídeo), do sr. Toshihiko Egashira. Foi o último lançamento inédito de tokusatsu da era de prata da Geração Manchete pela emissora carioca. A Glasslite estava promovendo os produtos do herói. Para que ficasse bem claro que ali era a continuação de Kamen Rider Black, os então redatores Marcelo Del Greco e Alexandre Nagado (ambos da clássica Revista Herói) prestaram consultoria à empresa de brinquedos. Ainda comercialmente, a série teve os primeiros 30 episódios lançados em VHS pelo selo Inter Movies.
Na dublagem, Élcio Sodré voltaria a emprestar sua voz ao herói, enquanto Francisco Bretas foi escalado para ser Dasmader; Nessa inexplicável troca, Shodow Moon foi dublado por Affonso Amajones, que dublou mais alguns monstros e ficou conhecido também pelos heróis Highter (em Winspector), SolBraver (em Solbrain) e Ultraman (na redublagem do herói-título nos anos 90); O destaque vai para os retornos de Ricardo Nóvoa (atualmente aposentado) e Patrícia Scalvi como General Jark e Maribaron, respectivamente. Em Black, ambos foram os sacerdotes Danker e Pérola; Vale citar que Joe Kasumi foi o último trabalho do saudoso dublador Ricardo “MacGaren” Medrado nas séries de tokusatsu.
Kamen Rider Black RX ganhou uma versão americana chamada Saban’s Masked Rider, que foi exibida no Brasil apenas na TV fechada. Mas isso é assunto para outro post…
Henshin!!
*Resenha publicada originalmente em 24 de julho de 2015. O texto foi devidamente revisado e atualizado.
Mais curiosidades em:
- Takayuki Miyauchi, o tenor do animesong
- JapAction – o último blocode séries japonesas da Manchete
- Kamen Rider: a coexistência entre Black e Black RX
- S.H. Figurarts Kamen Rider Black RX (2ª Versão) & S.H. Figurarts Acrobatter (por Usys222, blog Casa do Boneco Mecânico)
- S.H. Figurarts Roborider (por Usys222, blog Casa do Boneco Mecânico)
- S.H. Figurarts Biorider (por Usys222, blog Casa do Boneco Mecânico)
- Shotaro Ishinomori – O Rei do Mangá (por Alexandre Nagado, blog Sushi POP)
- TAMASHII Lab – Brinquedos da última geração (por Alexandre Nagado, blog Sushi POP)
- Katsushi Murakami – Desenhista de heróis e brinquedos (por Alexandre Nagado, blog Sushi POP)
- Entrevista: Toshihiko Egashira (via JBox TV)
- Quais são os Kamen Riders (via TokuDoc)
- Kamen Rider Black RX (opening) (via Ricardo Cruz/Anison Lab)
Black RX, foi legal mas poderia ter ido mais longe, as outras formas alternativas dele foram bem boladas o Robô Rider e o Bio Rider, mas O Império Crisis, foi de doer, os vilões parecem que ” pssaram antes num shopping center e comprar roupas, os vilões usavam jaquetas, capacetes de motoqueiros coisas assim, nem fariam poeira ao Império Gorgom, e o carro de RX? serviu pra que mesmo? Shadow Moon poderia ser melhor utilizado,
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Oi, Larecio. Eu gosto do Black RX, apesar de não ter a pegada sombria de Black. Shadow Moon poderia ter aparecido em mais episódios e ter dado mais dor de cabeça a Issamu. Já o Ridron… bem, esse serviu mesmo pra vender brinquedo. Hahahahaha
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Tudo bem, Cesar? Só acrescenta um detalhe sobre o Toshimichi Takahashi na série: ele fez jornada dupla, como dublador do Gatezone e suit actor do general Jark.
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Oi, Aniki. Acrescentei a info. Obrigado. 🙂
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