Kamen Rider Zi-O seria mesmo uma boa opção para passar no Brasil?

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Zi-O começou bem, mas acabou se tornando um “Decade 2.0” | Divulgação

Há alguns dias, o canal Resistência Tokusatsu vem lançando uma série de vídeos com possíveis pistas sobre a série Kamen Rider da era Heisei que poderá ser licenciada, em breve no Brasil, pela Sato Company. Segundo o camarada Bone Lopes e cia, a série poderá ser Kamen Rider Zi-O, a última da era imperial encerrada no ano passado.

O objetivo desse artigo não é confirmar ou negar se acontecerá de fato. Nesse caso, prefiro esperar o anúncio oficial por parte da distribuidora. E antes que os “fiscais da internet” comecem a fazer algum julgamento precipitado, já deixo avisado que não vou e não quero questionar qualquer decisão da Sato. Mas caso essa análise chegue até a empresa, espero que possa agregar antes de uma tomada de decisão.

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Quem acompanha meu blog há longa data sabe bem o que achei de Kamen Rider Zi-O. Foi uma série que, apesar da correria, começou bem e sua premissa prometia ser melhor e bem mais trabalhada/cuidada que Kamen Rider Decade. Pra contextualizar: essa última série mencionada foi a décima da franquia na era Heisei e, portanto, criou versões alternativas de Kuuga até Kiva. Decade perdeu a mão quando incluiu os Riders da era Showa, tanto na série de TV quanto no filme. E isso era algo que o próprio produtor Shinichiro Shirakura era contra. O resultado é que a construção dos personagens Tsukasa Kadoya (Decade), Daiki Kaito (Diend) e até mesmo o vilão Narutaki nunca foram definidas e seus objetivos jamais tiveram clareza.

Voltando a falar sobre Zi-O: a série passou a impressão de ser um fan service bacana. Afinal, era fim de era e a Toei tinha uma grande responsabilidade nas mãos ao homenagear os Heisei Riders (boa parte dos atores reprisaram seus papeis). A expectativa era do estúdio ter superado os erros cometidos em Decade e construir algo mais consistente/inteligente para a mitologia dos motoqueiros mascarados. Só que a coisa não trilhou por esse caminho, infelizmente.

O que era pra ser uma viagem no tempo para corrigir as distorções causadas pelos Time Jackers, ficou de escanteio. De repente apareceram alguns Riders antigos no tempo presente e com seus poderes ainda ativos, mesmo com a presença dos respectivos Another Riders. Detalhe que fugiu da lógica da premissa. Pior do que isso foi na reta final, quando Tsukasa apareceu com mais frequência. Apesar da trama não surpreender como deveria, Zi-O estava longe de ser um “Decade 2.0”, mas acabou se tornando e de maneira mais destoada. As intervenções dos Time Jackers eram cada vez mais confusas e sem explicações. Nem mesmo Freud ou Dr. Emmett Brown (da trilogia De Volta para o Futuro) conseguiriam explicar tais furos, mais gigantescos que uma cratera da lua.

Tem mais. Os três últimos episódios fizeram uma “homenagem” ao Decade de maneira trágica: jogando fora toda a ligação cronológica entre outras séries da era Heisei (lembrando que Build não faz parte do mesmo universo). Toda a coexistência que havia foi detonada sem qualquer explicação. Ou seja, Zi-O encerrou a era Heisei dos Riders com várias pontas soltas e destruiu pontes entre os Riders anteriores. O final foi traumático e, por incrível que pareça, fez com que Decade parecesse a “melhor” série Kamen Rider, se colocarmos as duas na balança.

Comercialmente falando, Kamen Rider Zi-O pode ser uma boa aposta, visando brinquedos, mas é arriscada. Temos que considerar que passamos mais de 20 anos em hiato de séries originais da franquia e seria mais difícil vender os heróis para um público que não está habituado com tokusatsu. É mais incerta ainda se tratando da série mais nonsense dos Kamen Riders e poderia afugentar a possibilidade de conquistar novos fãs.

Como alternativas, eu indicaria Kuuga e Build. O primeiro, apesar de ser uma série datada, iniciou a era Heisei e hoje funcionaria melhor em plataformas de streaming (defendi essa opção aqui). Já a segunda é mais recente e, de longe, a melhor série Kamen Rider da era Heisei. Seu roteiro impecável daria mais chances de vingar a marca mais uma vez no Brasil. Ou quem sabe até Zero-One, que é a primeira série da era Reiwa e que será finalizada este mês. Por que não?

Não dá pra dizer o mesmo com Zi-O. Se a série for mesmo lançada no Brasil, verei para acompanhar o resultado. Mas certamente ficaria um gosto amargo.


3 comentários sobre “Kamen Rider Zi-O seria mesmo uma boa opção para passar no Brasil?

  1. Olá César! Esclarecedor seu texto. Infelizmente ainda não assisti ao KR ZI-O (irei assistir). É muito bom saber que a franquia voltará após o hiato. Considero importante que seja bem aceito pela nova geração e, os detalhes ao qual vc cita, seria importante uma comissão formada por conhecedores como vocês para pelo menos apresentar uma opção estruturada a empresa Sato. Abraços.

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  2. Quem não conhece a franquia ficaria perdido com um monte de outros heróis surgindo do nada (para quem não acompanha a franquia, que é a maior parte do telespectador comum) e sem uma explicação embasada sobre suas origens. Também apostaria no Build. Ou no Den-O, para aproveitar a popularidade recente do Momotaros como meme.

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