
Confesso que não tinha visto os últimos quatro episódios de Donbrothers até ontem, pois o último mês foi bastante intenso por aqui – trabalho, trânsito, pendências a resolver e coisas do tipo. Tive que parar tudo pra tirar esse atraso. Afinal, além dos ossos do ofício, a atual série Super Sentai está bem interessante.
Interessante é pouco para defini-la. Já se passaram 10 episódios e Donbrothers está se superando a cada desenvolvimento dos personagens. A origem de Don Momotaro, o motivo da prisão de seu pai, a identidade da versão sombria de Kaito Goshikida (que finalmente se transformou em Zenkaizer Black diante dos heróis) e o que são os Kibi-Points permanecem e são coisas que vão demorar mais algum tempo para serem reveladas.
Mas eis que os recentes episódios apresentaram mais mistérios, perguntas que permanecem no ar e que não deixam só a Haruka com o nó no cérebro. Nós também ficamos assim do lado de cá.
A incógnita que deve se destacar nos próximos meses é sobre Miho e Natsumi. Por que ambas são tão parecidas? São a mesma pessoa? Tudo o que sabemos é que a primeira é a esposa de Tsuyoshi Kijino/Kiji Brother e a segunda é a namorada do fugitivo Tsubasa Inuzuka/Inu Brother. Ambas possuem as mesmas características, a mesma fisionomia (ambas são interpretadas pela atriz Momoko Arata) e suas mãos foram pedidas em casamento – pelos respectivos amados – no mesmo local.
É muita coincidência, né? Vale lembrar que Natsumi não é vista por Tsubasa há algum tempo. Talvez porque ela agora vive como Miho, ao lado de Tsuyoshi. Ah, teve até uma cena em que Tsubasa visita a casa de Tsuyoshi e, por algum motivo, ele posterga naturalmente em ver a foto da esposa do colega. Foi bem do tipo “depois você me apresenta, não tem pressa”. Foi até engraçado e lembrou um pouco o Chaves, por ter uns lances com personagens interpretados por um mesmo ator ou algo assim.
Pensando bem, não era a hora mesmo. Seria um choque e tanto para ambos, poderia haver um paradoxo no espaço tempo como diria o Doc. Brown (da trilogia De Volta para o Futuro) e o mistério perderia a graça. Ainda é cedo para ser desvendado.
Outra coisa interessante foi ver a reciprocidade entre os rivais Taro e Sonoi. Ambos tiveram que cooperar para salvar pessoas em perigo. Aliás, além de ser bem estiloso, Sonoi tem pinta de anti-herói e isso ficou claro desde o primeiro episódio. Não podemos descartar a possibilidade de ele ajudar os heróis efetivamente em algum momento importante da série.
Ele previu a chegada de novos vilões chamados Juto (ou Bestiais), que devem dar mais dor de cabeça para o quinteto e, por sinal, para o trio de Noto.
Agora, uma das sacadas mais legais em Donbrothers aconteceu no episódio desta semana. Haruka completou os tais Kiji Points (ainda não entendi direito o critério desse tipo de monitoramento) e ela poderia, sabe-se lá como, voltar a ter uma vida normal, onde ela não seria acusada de plágio. Ou seja, ela estaria em uma realidade alternativa onde ela não faria parte dos Donbrothers.
Em seu lugar estava uma garota chamada Marina Maeda, que aparentemente é mais segura na equipe, reverencia Don Momotaro e construiu um elo entre os heróis (que na realidade mal se conhecem direito a essa altura do campeonato). Tudo o que a Haruka não conseguiu fazer até agora. Só que Marina também foi acusada de plágio, assim como Haruka. Ela era fotógrafa, no caso, e desistiu da carreira. Resumindo: Haruka conseguiu recuperar seu título como Oni Sister e tudo voltou ao normal.
Como diria Carlos Andreazza, tem método. A origem de Oni Sister está ligada de alguma forma à acusação de plágio. Ou seja, Tsubasa não seria o Inu Brother se não fosse acusado de um crime que não cometeu? Tsuyoshi não seria o Kiji Brother se não fosse casado com Miho? Daí a gente volta para a teoria sobre a ligação entre Miho e Natsumi e conclui por ora que ser um Donbrother é um preço a se pagar.
São esses mistérios que fazem de Donbrothers uma das melhores séries Super Sentai dos últimos tempos e o roteirista Toshiki Inoue está formando um quebra-cabeça que tem tudo para agitar os fãs. É de roteiro inteligente e envolvente assim que precisávamos. Antes tarde do que nunca.
PS: Marina Maeda foi interpretada pela atriz Hiyori Katada, de 17 anos – fará 18 em 20 de novembro. Originalmente fez o teste para o papel de Haruka Kito, mas perdeu, é claro. Sua atuação foi tão boa que a Toei a escalou para o papel da “substituta” da Ranger Amarela da equipe.