
Recentemente, o site japonês Real Sound publicou uma entrevista com o Shinichiro Shirakura, produtor da Toei Company e atual diretor-executivo sênior do Departamento de Estratégia de Personagens da produtora (criado em julho de 2023). Foi uma entrevista muito interessante, onde ele falou sobre curiosidades de bastidores de produção, inclusive sobre Kamen Rider Ryuki. O que me chamou mais atenção foi sobre os desafios de uma possível expansão global da Toei.
“É uma questão difícil. Obras japonesas são aceitas na Ásia, mas em regiões com culturas diferentes, como Europa, Américas e África, os conceitos subjacentes podem não ser bem compreendidos. Nosso Departamento de Estratégia de Personagens quer promover seriamente a expansão global dos heróis, superando barreiras culturais. Conceitos como “transformação” podem não ser bem recebidos no exterior, onde heróis geralmente mudam de roupas em vez de se transformarem. Diferenças visuais também são desafiadoras. Por exemplo, no Japão, disfarces cobrem a boca, mas mostram os olhos, enquanto no Ocidente, máscaras como a do Batman cobrem os olhos, mas mostram a boca. Essas diferenças culturais afetam a recepção dos personagens”, afirma Shirakura.
Ele continua: “Além disso, o design de monstros e criaturas é desafiador. A cultura japonesa, com seu animismo e tradições de yokai (fantasmas), aceita personagens antropomórficos como o “karakasa kozo” (um guarda-chuva com um olho), mas esses designs podem ser mal interpretados no Ocidente. Embora algumas obras como ‘Godzilla’ tenham cruzado barreiras culturais, isso não é universal. Precisamos identificar as barreiras em diferentes culturas e tomar decisões calculadas.”
Percebo um receio do produtor com a expansão global dos títulos. Isso não é de hoje. Vamos lembrar que, em 2019, fãs americanos perguntavam a ele, pelo X (antigo Twitter), sobre a possibilidade de existir uma base de fãs suficiente para o mercado de distribuição no Ocidente. A resposta de Shirakura na ocasião foi negativa: “Eu acredito que não há praticamente uma fanbase de Kamen Rider no ocidente.”
Ficou entendido, à época, que Kamen Rider atenderia apenas a um nicho de público por aqui e que não teria a mesma força que no Japão. Shirakura ainda foi questionado na mesma rede social e respondeu o seguinte:
“Ok, ok. Apreciando os fãs de Kamen Rider no exterior. Honestamente, estamos apenas conscientes disso, exceto a extensão dos fãs de Super Sentai. Porque sabemos que a aderência de Kamen Rider para o Ocidente falhou de novo e de novo, enquanto Super Sentai conseguiu (êxito/sucesso) como Power Rangers.
Agora, gostaria de saber como podemos atender a franquia Kamen Rider em todo o mundo, diretamente, não sendo adotada (ou de alguma forma) Mas não estamos indo em frente. Por favor, nos dê mais algum tempo.”

Óbvio que Shirakura se referia ao fracasso das adaptações Masked Rider e Kamen Rider – O Cavaleiro Dragão, que não tiveram êxito fora do Japão.
O que faltava mesmo era uma comunicação mais aberta com os fãs para Shirakura entender o que os fãs realmente querem: títulos originais do Japão. O avanço se deu em 2020, com o registo oficial de Kamen Rider no Ocidente. Desde então, mais séries e filmes da franquia foram lançados nos EUA e também aqui no Brasil.
Ainda em 2020, a Toei lançou seu canal oficial no YouTube, o Toei Tokusatsu World Official, que tinham lançamentos regulares, mas apenas os dois primeiros episódios de cada série tinha legendas em inglês. Infelizmente, o canal não tem atualizações há quase dois anos.
Voltando à recente entrevista, Shirakura não precisa se preocupar com o que uma possível estranheza por parte do público ocidental. Sim, essa estranheza existe, mas vem do público que não consome materiais de tokusatsu e de animê. Tá certo que o público-alvo de Kamen Rider são as crianças. Assim como no Japão, isso poderia fazer sucesso com as crianças no Ocidente. Mas convenhamos que boa parte dos fãs ocidentais é composta por adultos que acompanham até hoje as produções da Toei.
E não é muito difícil, vendo por esse ponto. Basta ver como outras produtoras já estão na frente. A Tsuburaya mantém sua expansão global desde 2020. A Toho celebra os 70 anos de Godzilla com produções distribuídas para o ocidente (como a série clássica Godzilla Island, exibida com legendas em inglês). E a Tohokushinsha começou neste ano a exibir séries de Garo com legendas em vários idiomas, incluindo português.
Ou seja, o sucesso, entre os fãs dos heróis japoneses da Toei, não seria diferente. Se a produtora fizer o teste do YouTube, começar a legendar mais episódios e lançar com uma ótima qualidade de imagem, vai dar tudo certo. A primeira semana do canal Toei Tokusatsu foi uma prova disso, com a excelente repercussão dos fãs que moram fora do Japão.
Aliás, já está mais do que na hora do canal retornar com alguma reformulação, não é mesmo?
O Problema: Shirakura Shin-1# teme “perder” suas marcas, caso haja uma expansão mundial na qual houve em “Ultraman”, “Garo” e “Precure”…
Se bem que, timidamente, “Precure” é a marca-teste para que a TOEI comece a tomar a atitude de adotar o padrão “Tsuburaya” com suas franquias.
Mas, o que o Shirakura está precisando é ser confrontado com Jornalistas da JBOX, do Resistência, do Brasil tem Tokusatsu, do Tokudoc e Omelete, e enxergar que existe, sim, fãs que desejam ver “Simulcast de Tokusatsu da TOEI”…
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