
Ultraman Mebius & Ultraman Brothers – Yapool Ataca! é o primeiro filme do herói Ultraman Mebius, que estava no ar pela emissora japonesa TBS. O longa estreou nos cinemas locais em 16 de setembro de 2006 e antecipou o que muitos fãs queriam já nas vésperas da estreia do herói: a volta dos Irmãos Ultra.
O filme começa em 1986 (cinco anos após o final de Ultraman 80 e vinte antes de Ultraman Mebius) com uma batalha entre o Ultraman original, Ultraseven, Ultraman Jack e Ultraman Ace contra U-Killersaurus. O monstro é a última arma de Yapool, o icônico ser maligno da série do Ace (inédito no Brasil). Com as forças chegando ao fim, os Irmãos Ultra resolvem selar Yapool e U-Killersaurus no fundo do mar da cidade de Kobe com seus próprios poderes. Em suma, os heróis não poderão mais se transformar ou do contrário suas vidas estarão em risco. O grande feito dos Ultras se tornou história e esse foi um dos motivos que fez com que Mebius fosse pra Terra.
Mirai Hibino (Shunji Igarashi), que na realidade é o Ultraman Mebius disfarçado na Terra, parte para Kobe em uma missão especial do esquadrão anti-monstros GUYS. Lá ele conta com a ajuda da oceanógrafa Aya Jinguji, uma antiga recruta da GUYS, numa investigação sobre um incidente de três meses antes dos eventos presentes do filme. O irmão mais novo de Aya, Takato, era fã dos Ultras e da GUYS até presenciar um ataque do kaiju Cherubim (leia: querubim), que apareceu primeiro no episódio 4 de Mebius. Ao mesmo tempo que Mirai tenta conquistar a amizade de Takato para devolver o seu sorriso, o herói lida com o ataque dos seijins Temperor, Zarab, Guts e Nackle (todos eles versões dos respectivos monstros clássicos das Ultra Series). O quarteto planeja uma série de ataques, mas objetivo principal é quebrar o selo que prende Yapool nas profundezas do mar.
Depois do primeiro ataque, aparecem diante de Mirai os veteranos Shin Hayata (Man), Dan Moroboshi (Seven), Hideki Go (Jack) e Seiji Hokuto (Ace), que passaram a viver normalmente como meros humanos. Eles ensinam ao então atual Ultraman a importância da Terra e de seus habitantes. O motivo pelo qual eles tanto amam, defendem e acreditam.

Mebius & Brothers dá a impressão de estarmos assistindo um episódio estendido de Ultraman Mebius. O filme segue o mesmo padrão: fazer referências às séries clássicas de Ultraman. Até o elemento de crucificação está presente, para se ter uma ideia. O legal é ver como os heróis estavam após o fim de suas respectivas séries. Porém, pode se dizer que o filme adotou um conceito criado pelos americanos. É que originalmente Hayata (que é apenas o nome civil do heroi) era apenas um humano que teve o corpo dominado e a mente adormecida pelo primeiro Ultraman enquanto atuava na série original de 1966. Enquanto na versão americana (de onde foi adotada para a dublagem clássica brasileira da Cinecastro, de 1968), Hayata era apenas um hospedeiro e consciente da tal simbiose (saiba mais neste texto escrito por Alexandre Nagado).
Enfim, Mebius & Brothers adotou também a uma das versões antigas do capacete do Ultraman original, a Type A. Aquela com aspecto surrado/amassado. Ficou bem esquisito na tela e não agradou muito o público japonês. Mas nada que atrapalhasse a diversão. Muito pelo contrário, tão divertido e intenso a ponto de deixar os Color Timers dos heróis piscando por mais de três minutos (algo que foi excepcionalmente ignorado). Para ajudar os heróis na batalha final surgem também Zoffy e Ultraman Taro. Para quem ainda acha que Ultraman é uma franquia “datada”, o filme utiliza muita CGI no final. Além de Ultraman Mebius adquirir uma forma exclusiva para o filme. Mebius & Brothers agrada tanto antigos quanto novos fãs. Também serve de referência para quem quer se aprofundar na franquia e não sabe por onde começar.
Impossível deixar de citar a volta dos atores veteranos Susumu Kurobe (Hayata/Man), Kohji Moritsugu (Moroboshi/Seven), Jiro Dan (Gô/Jack) e Keiji Tamamine (Hokuto/Ace). Para os fãs de Super Sentai, a atriz Aiko Ito (a Ranru Itsuki/Abare Yellow de Bakuryu Sentai Abaranger) interpreta Aya Jinguji. Ela, que já se aposentou do meio artístico, volta como a mesma personagem num arco duplo de Ultraman Mebius.

No Brasil, Ultraman Mebius & Ultraman Brothers estreou primeiro no canal Cinemax, da programadora HBO, em 13 de setembro de 2008. Mesma data da estreia japonesa de sua continuação, Superior Ultraman 8 Brothers. Falando em ambos, os títulos ganharam lançamento em DVD pela Focus Filmes no final de 2011, junto com outros filmes da franquia. Desta vez com dublagem realizada pela Dubrasil (estúdio do dublador Hermes “Dyna” Baroli) que reuniu novamente elencos paulista e carioca.
Vale mencionar a volta dos dubladores Celso Vasconcelos e Ionei Silva (in memorian) emprestando suas vozes mais uma vez para Ultraseven e Ultraman Jack, respectivamente. Tivemos uma baixa da voz original do primeiro Ultraman, já que Milton Rangel não está mais entre nós. Quem dublou o idoso Hayata foi Márcio Simões. Aliás, sua voz encaixou bem e a voz de Affonso Amajones (que interpretou Hayata na redublagem da BKS nos anos 90) não cairia bem por conta da idade. Para interpretar o Ultraman Ace foi escalado o dublador Orlando Viggiani (o Júpiter de Cybercop).
Quanto aos demais heróis: Mirai/Mebius foi dublado por Rodrigo Andreatto (o Joey Wheeler do anime Yu-Gi-Oh!); Zoffy por José Carlos Guerra (o Zampa em Jaspion); e Ultraman Taro por Silvio Giraldi (o Dr. Worm em Ryukendo). Falando em Taro, há uma falha na dublagem no momento em que o herói dispara o seu Storium Ray com o áudio original.
E os monstros contaram com um time de primeira das séries japonesas. Yapool foi interpretado por Luiz Antonio Lobue (Aiolia de Leão em Os Cavaleiros do Zodíaco); Alien Temperor por Gilberto Baroli (Saga de Gêmeos também em Cavaleiros); e Alien Nackle por Carlos Seidl (Dr. Gori em Spectreman). J.C. Guerra e Silvio Giraldi fazem mais de dois papeis neste filme e interpretam Alien Zarab e Alien Guts, respectivamente. Curiosamente, Baroli e Seidl fazem outras vozes fora destes citados.
Ultraman Mebius & Ultraman Brothers – Yapool Ataca! já estiveram nos canais de streaming Netflix e Looke.
*Resenha publicada originalmente em 15 de abril de 2016. O texto foi devidamente revisado e atualizado.