Shin Kamen Rider materializou o conceito sombrio de Shotaro Ishinomori fora dos mangás

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Shin marcou as comemorações de 20 anos das séries Kamen Rider | Foto: Divulgação

Há quase 30 anos, a Toei produziu um filme para celebrar as duas décadas da franquia Kamen Rider. Diferente das séries de TV, Shin Kamen Rider: Prologue (ou Masked Rider Shin) reproduziu uma atmosfera mais visceral e que só existia nos mangás de Shotaro Ishinomori. O longa de 88 minutos foi o primeiro de uma trilogia que encerrou a era Showa, junto com ZO e J (embora a era Heisei já estivesse acontecendo).

Até então, apenas Kamen Rider Black conseguiu captar uma atmosfera mais sombria. Seria até mais do que conhecemos/lembramos. O problema é que Black teve várias mudanças na trama, nos bastidores, e isso rendeu a saída espontânea do saudoso roteirista Shozo Uehara (o mesmo de O Regresso de Ultraman e Jaspion) do projeto. Mas Shin Kamen Rider não foi feito para a criançada no Japão, que estava acompanhando séries como Zyuranger e Exceedraft. O negócio era muito ousado, tanto pelo roteiro quanto pela estética de produção. Aliás, seguiu a inspiração do mangá de Black e era para ser o marco zero de uma pretendida nova fase para a franquia.

Foi em 20 de fevereiro de 1992 que o filme foi apresentado pela primeira vez para o público local. O staff tinha nomes importantes como o produtor Susumu Yoshikawa, o diretor de ação Osamu Kaneda e produção executiva de Katsushi Murakami. Curiosamente, o roteiro foi de Joe Onodera, o filho de Shotaro Ishinomori que atuou em séries como Kamen Rider Black RX e Ultraman Dyna.

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A transformação do Kamen Rider | Reprodução

Na trama, os cientistas Daimon Kazamatsuri e Giichi Onizuka pesquisam experimentos que podem ser a cura para a AIDS e o câncer, além de fortalecer o corpo humano. Sem se dar conta, Shin, o filho de Kazamatsuri, se torna cobaia de tal experimento. O que ele não sabe é que existe uma conspiração por trás disso, que visa a criação de ciborgues com a combinação de DNA de gafanhoto.

Por outro lado, um criatura horrenda mata pessoas inocentes. Só que, por algum motivo, Shin tem constantes sonhos com o tal monstro e passa a acreditar que é o autor dos assassinatos. Mais óbvio do que isso, é a capacidade de Shin de se comunicar com gafanhotos. A coisa fica mais complicada para o jovem motoqueiro quando Sarah Fujimachi, uma agente da CIA, o persegue implacavelmente. A ordem é matá-lo, mesmo não sabendo quais os riscos que Shin poderia causar contra a humanidade.

Shin Kamen Rider: Prologue impressiona pelos efeitos especiais, que ficaram acima dos padrões da Toei à época. Isso graças ao então supervisor Keita Amemiya, que criou os visuais dos monstros de Kamen Rider Black RX (de 1988) e mais tarde dirigiu os filmes Kamen Rider ZO (de 1993) e Kamen Rider J (de 1994). Na época, Amemiya estava no auge por conta de seu trabalho com o filme Zeiram (de 1991). Sem dúvida, a transformação do Rider e as cenas de alta violência se destacam. Mas nem tudo é perfeito. O roteiro de Jo Onodera, em parceria com Junichi Miyashita (de Lady Battle Cop), foi arrastado em vários momentos, gerando inconsistências no desfecho do filme. A intensa carga dramática também colaborou para a sua impopularidade.

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Shin e os Riders ZO e J | Foto: Reprodução

Ainda assim, Shin Kamen Rider: Prologue é um cult a ser (re)visitado por fãs dos motoqueiros mascarado e entusiastas de Shotaro Ishinomori. Falando nele, o próprio faz uma ponta no começo do filme. Outro rosto conhecido é o da atriz Kyomi Tsukada, nossa eterna Anri em Jaspion como Sarah Fujimachi. Já o astro Shin Ishikawa (creditado como Katsuhisa Ishikawa) foi mais tarde Kazuya Serizawa, o hospedeiro de Ultraman Hikari em Ultraman Mebius (de 2006). E não menos importante, o dublê Jiro Okamoto (o mesmo de Black e Black RX) vestiu o “traje” de Shin.

O filme Shin Kamen Rider: Prologue é uma das opções para conferir no canal Toei Tokusatsu World Official, que foi inaugurado em 5 de abril, no YouTube. Com a versão não-censurada, você pode assistir aqui com legendas em inglês (opção disponível para tradução automática em português nas configurações da plataforma de vídeo).


4 comentários sobre “Shin Kamen Rider materializou o conceito sombrio de Shotaro Ishinomori fora dos mangás

  1. Bem sombrio e violento esse filme. Do jeito que gosto. Muito bom. Pena que Kamen Rider Black sofreu essas mudanças. A partir dos episódios com Taurus (Birugenia) adotou um tom mais aventuresco, padrão. Na reta final já antecipava RX, com Issamu (Kohtaro) fazendo muitas parcerias com crianças. Mas tinha o Shadow Moon. O Kamen Rider 1 já é bem sombrio nos primeiros episódios, com uma personagem acusando o herói de assassinato, inclusive. Grande Shotaro.

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    1. Oi, Armando. Tudo bem? O próprio Uehara e o produtor Susumu Yoshikawa disseram que a série do Black se passaria num mundo devastado e demoraria para o herói se transformar. Na concepção de Uehara, o Kamen Rider não poderia viver num mundo normal, pois ele teria que ter, dentro de si, elementos do bem e do mal. Com isso ele teria conflitos internos e retomaria a esperança no desfecho. O roteiro chegou a ser aprovado pela Toei, mas ela tão tinha orçamento suficiente para produzir o ambiente apocalíptico.

      Apesar de não curtir o desfecho, me divirto com o Shin. Embora o roteiro fosse imperfeito, os efeitos foram uma evolução pra época. Abraços!

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  2. Gosto deste filme, foi o que chegou mais próximo do conceito original de Shotaro Ishinomori, acho que seria interessante a Toei fazer um novo filme, talvez até uma nova série, com Shin Kamen Rider, assim como fez com Kamen Rider Amazons.

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  3. Estou reassistindo o Black e, realmente, é como o colega acima falou: no início os episódios eram densos e sufocantes. A partir da chegada do Taurus o tom fica mais leve e sempre rola umas crianças pra dar mais leveza à trama. Mas acho que a coisa toda foi feita com capricho e a qualidade da série se manteve constante. Particularmente, não consigo apontar nenhum episódio do Black que considere “ruim”. Já o Shin, tá na minha lista, acho a premissa bem legal, ainda mais quando soube que tem muito a ver com o mangá do Black. Abraço e parabéns pelo blog.

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