Apesar do final traumático, precisamos falar sobre os novos filmes de Kamen Rider Zi-O

primeira-geracao
O confuso encontro entre Zi-O e Zero-One | Divulgação

O que esperar de um filme de Kamen Rider Zi-O após aquele final a la Evangelion, hein? Ou pior, um filme crossover com os bons personagens de Kamen Rider Zero-One? E que tal um filme solo do Kamen Rider Geiz? Pois é, a última série Kamen Rider da era Heisei ficou marcada pela mudança de contexto que mudou drasticamente na reta final (ou senão, destruiu a possibilidade de se construir um multiverso coeso). O que vier depois do final de Zi-O pode ser um mero caça-níquel da Toei.

Recentemente saíram na internet os filmes Kamen Rider Reiwa: The First Generation (de 2019) e Kamen Rider Zi-O NEXT TIME: Geiz, Majesty (de 2020). Apesar dos pesares, não tem como a gente se livrar facilmente de Sougo e cia. Eles são carismáticos sim, mas agora eles começam uma nova vida que – de alguma forma – é contada em duas novas aventuras. Eles mereciam um destino melhor e mais consistente, mas é pouco provável que haja um final “verdadeiro” e mais digno para eles.

As chances disso acontecer são minusculas (pra não dizer “nulas”). Enquanto nada se resolve, precisamos analisar os tais filmes (SEM SPOILERS).

THE FIRST GENERATION

geiz-e-cia
Woz, Geiz e Tsukuyomi também estão de volta | Divulgação

Seguindo a tradição de fim de ano, a Toei lançou Kamen Rider Reiwa: The First Generation em 21 de dezembro de 2019 nos cinemas japoneses. É o 11º da série de filmes Movie Taisen (ou Movie War), que sempre reúne o Rider atual e seu predecessor. O momento é marcado por ser o primeiro filme de Kamen Rider da era Reiwa, que começou em 1º de maio do mesmo ano.

É preciso que se diga que Kamen Rider Zero-One tem uma boa premissa e tem lá seus altos e baixos. Mas a condução do filme se divide entre a gênese do herói e o nonsense. É que a coisa poderia fluir bem se não fosse a intervenção do “novo Decade”.

Misteriosamente, Aruto, o então presidente da Hiden Intelligence, acorda de um pesadelo com o acidente da Daybreak Town, ocorrido 12 anos antes da morte de seu avô, Korenosuke Hiden. Ao chegar na sede da empresa, Aruto é escorraçado por vários HumaGears e ele descobre que Will, um novo presidente da empresa, usurpou o seu posto e se transforma no monstruoso Another Zero-One. Com os poderes do Kamen Rider esgotados, Aruto é salvo por Isamu Fuwa e Yua Yaiba, que tiveram suas memórias alteradas e agora lutam em prol de uma resistência humana.

Enquanto isso, Sougo, Geiz e Tsukuyomi estão prontos para mais um dia pacato na escola quando eles entram numa sala de aula ocupada por HumaGears, que os perseguem implacavelmente. O trio é salvo por Woz (negro), que lhes devolve suas antigas memórias. Eles agora devem lutar contra Finis, uma nova Time Jacker que está mudando a cronologia… de Zero-One.

ichi-gata
Zero-One encurralado por Ichi-Gata | Divulgação

O primeiro erro crasso de The First Generation é que não ha explicação alguma de como dois mundos distintos se tornaram um. Quem viu os três últimos episódios de Zi-O sabe da confusão que foi a Toei mudar a narrativa de viagem no tempo para mundos isolados para cada Rider da era Heisei. Coisa intragável que não tem cabimento e sequer houve uma explicação plausível para isso. Traumático, no mínimo. O mesmo erro é cometido nesse filme que simplesmente uniu os dois mundos, jogou os respectivos personagens e foi empurrando o enredo com a barriga. Temos que considerar também que Zero-One se passa num presente alternativo, onde humanos e os androides HumaGears coexistem na sociedade.

Todo esse furdúncio acaba criando uma linha do tempo alternativa para a mitologia de Zero-One, que apresentou a origem dos HumaGears e como o rumo foi afetado por Finis. Algo que poderia ser revelado de maneira isolada e sem intervenção de uma Time Jacker pra isso. A narrativa não deve ter proveito para a série de TV, mas faço justiça ao frisar que os laços de cumplicidade entre Aruto e sua secretária Izu foram bem trabalhados. Em tempo, o próprio produtor Shinichiro Shirakura garantiu que The First Generation é um filme cânone.

The First Generation introduziu o misterioso Kamen Rider Ichi-Gata (algo como “Tipo-1”), que está diretamente ligado a um ente querido de Aruto. Seiji Takaiwa, o dublê da grande maioria dos Heisei Riders, é quem veste o traje de Ichi-Gata. Já Finis é capaz de se transformar no Another Ichigo, que é um tributo ao primeiro Kamen Rider. A vilã foi interpretada por Rina Ikoma, uma idol que foi integrante dos grupos musicais Nogizaka46 e AKB48.

Há uma cena após os créditos finais.

GEIZ, MAJESTY

Kamen Rider Zi-O NEXT TIME: Geiz, Majesty (também canônico) se passa em setembro de 2018, o marco zero da nova realidade de Sougo e cia. Sem lembrar de nada dos eventos principais de Zi-O, eles passam a projetar sonhos para o futuro. Por algum motivo, Sougo ainda guarda o sonho de se tornar um rei. Já Keito Miyokoin (o nome de Geiz nesta realidade) deseja ser um campeão de judô – e ainda conquistar o coração de Alpina Tsukuyomi.

geiz-majesty
Sua “majestade”, Geiz | Divulgação

Durante uma competição, Keito sofre uma lesão e acaba abandonando o seu sonho. Curiosamente, seu médico é nada menos que Akira Date, o Kamen Rider Birth da série Kamen Rider OOO (Ooz), e lhe entrega um RideWatch e um driver. E pra complicar ainda mais, o Woz branco ressurge para servir a Keito e plantar uma disputa para que ele se torne um rei, antes que Sougo consiga primeiro.

Mais uma vez, o roteiro comete o mesmo furo de não explicar direito como os mundos foram reunidos (santa indecisão, Batman!). Além de Date, aparecem os secundários Masato Kusaka/Kaixa (de 555), Ryu Terui/Accel (de W) e até o já famigerado Daiki Kaito/Diend (de Decade). Em parte, o filme valeu por vê-los mais uma vez (e por ver a Shieri Ohata mais uma vez como Tsukuyomi). Curiosamente, o V-Cinema, que foi lançado em vídeo no dia 22 de abril, foi roteirizado por Nobuhiro Mouri e dirigido por Satoshi Moroba, os secundários de suas respectivas funções na série do Zi-O.

Há várias referências à série de TV e até um gancho para uma possível continuação. Foi até divertido. Mas nada disso resolve o imbróglio que representa Zi-O para a própria cronologia da franquia Kamen Rider. Melhor deixar os personagens vivendo suas vidas pacatas e, quem sabe, eles caiam no vácuo do esquecimento, né?

De fanservice precário pra outro, os filmes do Decade ainda são os “melhores”. 😛


5 comentários sobre “Apesar do final traumático, precisamos falar sobre os novos filmes de Kamen Rider Zi-O

Deixar mensagem para César Filho Cancelar resposta