Com a suspensão de Kamen Rider na TV, surgem duas torcidas toscas no fandom

Black segue suspensão pela lei de direitos conexos | Divulgação

Com certeza você, assim como eu, deve estar chateado com a suspensão de Kamen Rider Black na Band e em outras mídias. Élcio Sodré, o dublador do herói-título, entrou com uma ação contra a distribuidora Sato Company por não receber pelos seus direitos conexos (saiba mais sobre a lei aqui). Por isso, a série está fora do ar desde a manhã deste domingo (6) e teve que ser substituída por Jaspion.

Antes de qualquer coisa, um disclaimer: Como imprensa, não estou na posição de tomar partido de nenhum dos lados. Portanto, sigo os princípios da veracidade, clareza, objetividade, simplicidade, isenção e neutralidade.

Vamos aos fatos. Élcio está correto em ir atrás do que é dele por direito. A lei lhe garante e ponto. Concordar com isso não é o mesmo que ser contra a Sato Company. A empresa acertou e errou várias vezes. Sendo mais específico, a estreia de Black aconteceu cedo demais. Tudo parecia estar acertado, mas não estava. Ainda haviam problemas para resolver.

Como eu mesmo escrevi semana passada na minha coluna no site JBox, faltou tempo e planejamento para o lançamento para a TV. A estreia teve erros técnicos como o tema em português (cantado por Ricardo Cruz) que não foi pro ar, múltiplas hashtags e coisas do tipo. A pendência com o dublador também é um desses erros. Ou melhor, foi o pior e que prejudicou a todos.

Mas além de toda essa confusão inimaginável, surgem dois tipos de “time de futebol” toscos no fandom de tokusatsu.

O primeiro é formado pelos saudosistas (ou “viúvas”, como queira) de Black. Com a série fora do ar, vários “fãs” atacaram Élcio covardemente chamando-o de “traidor” e coisas do tipo. Tudo porque o herói saiu do ar e dane-se a lei e os direitos do dublador, segundo a linha de pensamento dessa turma.

E o segundo é formado por torcedores do contra que surfaram na onda da estreia das séries japonesas na Band, torceram o nariz na primeira queda de audiência (com a volta da Fórmula 1) e agora querem criar uma falsa dicotomia. Tipo, se você é a favor do dublador, você é contra a Sato. Mas se você é neutro, é passa pano da empresa.

Veja: você pode ter o direito de concordar e/ou repudiar qualquer um dos lados. Mas esse barulho das duas torcidas é bizarro. Élcio não é traidor. É um dublador profissional que tem que receber pelos direitos conexos. Assim como ele, todos os fãs esperam que a série volte logo ao ar. E a Sato precisa se organizar para que esse tipo de problema não se repita e que poderia ter evitado antes de pensar em colocar o clássico na TV.

Eu mesmo levantei hashtags nas primeiras 24 semanas porque sou fã dos heróis e torço para que faça sucesso. Não interagi neste fim de semana por desmotivação. Em nenhum momento fui pago para promover ninguém. Divulgo as séries por amor à camisa. Já elogiei a Sato quando ela acertou, assim como também critiquei – sempre com análise, bons argumentos e sem narrativa.

Aliás, o site JBox, que é o veículo do qual faço parte, já entrevistou o sr. Nelson Sato em duas ocasiões (em 2015 e recententemente em junho deste ano). Abrimos espaço para entrevistá-lo, bem como fizemos com outros gerentes de distribuidoras, redatores, artistas, etc. Isso é pluralidade. Boa relação entre veículos de comunicação (sites, blogs e canais de YouTube) não deveriam ser confundidos com jornalismo chapa-branca.

Tudo o que o fandom precisa é deixar a picuinha de lado, esfriar a cabeça e deixar que ambas as partes se resolvam de uma vez por todas e agir como adultos. Toda essa celeuma causada por essa parcela de fãs só atrapalha e mancha a imagem do fandom fora do Brasil.

Parem que está feio!


8 comentários sobre “Com a suspensão de Kamen Rider na TV, surgem duas torcidas toscas no fandom

  1. A ideia de que se trata meramente de torcida, por si só, já coloca todo mundo no mesmo balaio. E sim, tem muito chapa-branquismo de quem não quer perder parceria, privilégio de informações e afins. É o problema de quando o jornalismo até tem profissionais, mas não é profissionalizado em toda a sua estrutura. Vive-se de tapinhas nas costas, favorecimentos e afins. Cria-se um vínculo de amizade que compromete toda a maneira de se trabalhar. Eu atuo na área do jornalismo musical e não tenho NENHUMA amizade no meio, E por opção própria, pois entendo que comprometeria minha credibilidade ao me relacionar com meu objeto de trabalho. Mas retomando ao assunto do post, a Sato tentou jogar o dublador contra a opinião pública (e até certo ponto conseguiu), colocou a série no ar sem negociações e jogou com o emocional do público. Em uma situação como essa, não tem como não tomar partido, pois houve um comportamento totalmente enviesado e abusivo. De uma empresa que já usou fandub para divulgar série. Ficar neutro em uma situação como essa não nos faz muito diferentes de quem é contra corrupção e, ao mesmo tempo, acha que fins justificam meios. Se não for para fazer a coisa certa, melhor não fazer. Se for para ter tokusatsu a esse preço, é melhor não ter.

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    1. Foi De vez a pá de terra nas series nipônicas no Brasil.
      Tá certo que é lei, nisso não sei discute, mas levar para o lado frio da lei sem levar em consideração de que estamos falando de uma série superantiga, com mais de 30 anos que já foi produzida, que dá 1,5 de ibope, sem anunciantes, uma empresa pequena que luta pra sobreviver num mercado em que ela luta contra gigantes produtoras e a única que tenta trazer o gênero no Brasil. Élcio mirou nos seus direitos, derrubou a SATO e matou a volta do gênero no Brasil.

      Não conheço o seu Nelson Sato, mas entendo que manter uma empresa nesse país deve ser um verdadeiro parto, ficará totalmente inviabilizado pagar esses royalties aos dubladores numa série que não está dando retorno financeiro o suficiente. Não tem como não ter ficado com raiva dessa atitude do Élcio Sodré. Isso me faz apoiar quem de fato está preocupado em trazer o gênero no Brasil novamente. Respeito o Élcio mas nessa eu não vou apoiá-lo, ele não fez nada para lutar pelo gênero nos últimos anos, ao contrário, ele igual a milhares de dubladores vinculam a sua imagem ao personagem em vários vídeos e com certeza sem a autorização da Sato Company que nunca fez questão de impedir ou proibir, a recupocra deveria partir dele tb em entender o lado da empresa.

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      1. Oi, Heraldo. O Élcio não matou o tokusatsu no Brasil. Aliás, antes de voltar para a TV, tivemos uma acensão de títulos em plataformas de streaming. Quando filmes de Ultraman, por exemplo, foram lançados, a recepção do púbico foi tímida (em comparação ao anúncio de Jaspion e cia para a Band). Não fiquei com raiva do Élcio. Pelo contrário, eu compreendi e não tiro sua razão. A Sato poderia ter resolvido essas pendência antes, pra que problemas como esses e outros não acontecessem. Ela, como qualquer outra empresa, deve analisar antes se vale a pena investir em determinado produto e ver quanto poderia bancar. Se sim, ok. Se é não ou talvez, melhor não tentar num primeiro momento. Cautela.

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    2. Oi, João Renato. Há torcida sim. A grande maioria dos fãs não caiu na histeria de ambos os lados. Eu mesmo não faço parte de nenhum dos “times”. Torço mesmo é pra que as séries tokusatsu vinguem na TV, apesar de eu estar bem desanimado com essa situação. Não conheço o sr. Sato pessoalmente. Se eu tivesse a oportunidade de entrevistá-lo, faria sem problemas – mesmo que eu tivesse que fazer determinadas perguntas sobre tais problemas (é do jogo e cabe a ele responder ou não). Esse problema da suspensão de Black não é do Élcio e sim de responsabilidade da distribuidora, que não fechou o acordo. E nenhum canal e página de internet está sendo cúmplice. Pelo contrário, sempre apontamos os problemas quando apareceram. É só procurar.

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