
Hoje eu assisti a tal reportagem do programa Domingo Espetacular, da Record TV, sobre a série de mangá e animê Death Note – não assisti no domingo, pois há tempos que não acompanho a programação da TV em tempo real. E o que dizer disso? Nada muito diferente do padrão da emissora, que costuma fazer longas reportagens com mais de 10 minutos.
O cunho é sensacionalista e acabou deixando escapar o óbvio: a grande maioria dos pais não prestam atenção no que seus filhos estão assistindo. Quem conhece sabe que a trama é voltada para jovens e adultos – e é justamente uma crítica a quem segue o mesmo caminho de Light Yagami, o protagonista que mata as pessoas ao escrever os nomes de suas vítimas no caderno da morte. Muito ao contrário do que diz um psicoterapeuta na matéria, a série não “promove a morte“.
Por um lado, a reportagem frisa que não há produtos derivados da série com classificação indicativa. Se bem que figures ou mesmo cadernos personalizados são feitos para os fãs. No caso do Death Note “real” que se encontra no mercado, ele pode se destinado tanto para colecionadores quanto para cosplayers. E é preciso que se diga que por onde a série passou, seja na TV, em plataformas de streaming ou mesmo em publicações, sempre houve classificação indicativa – variando de 16 a 18 anos. E vamos lembrar que as indicações do tipo existem desde o ano 2000.
Por curiosidade, eu sou do tempo em que os jovens que assistiam Death Note eram tranquilos, queriam apenas curtir os animês do momento e/ou que marcaram infância, iam para eventos de cultura pop japonesa, etc. Aqui mesmo em Fortaleza, mais precisamente em 2008, eu vi um então candidato a prefeitura da capital assinar um Death Note, a pedido de um fã. Era uma brincadeira que chegou a viralizar por aqui. Coincidência ou não, anos mais tarde ele dizia repetidas vezes que tinha “a caneta na mão“. Outros tempos…

Deixar uma criança assistir Death Note seria o mesmo que deixá-la assistir a um filme da série Sexta-Feira 13, por exemplo. Pois bem, Death Note tem elementos de terror e também de investigação. Ou seja, uma criança com 12 anos não teria a mesma compreensão de um jovem de 16 anos para entender a complexidade da trama.
Death Note é uma ficção e a conduta de Light Yamami jamais deve ser seguida. A moral da história ficou óbvia para os adultos que assistiram a série. E eu não duvido de casos de assassinatos cometidas por uma ou outra pessoa “inspiradas” na série. Fanatismo existe em qualquer lugar, infelizmente. Agora, atribuir exclusivamente ao Death Note seria um equívoco. Aliás, se a culpa é de Death Note, a culpa também seria de outras produções com classificações indicativas já definidas?
Enfim, não é de hoje que animês são alvos de “polêmicas” no Brasil. E a impressão que fica é que a Record jamais exibiu exibiu esse tipo de conteúdo. Foi mais ou menos como aconteceu no início de junho de 2003, quando Gilberto Barros atacou Yu-Gi-Oh! por quase uma semana inteira em seu antigo programa na Band. Sobrou até para Dragon Ball Z , que era sucesso na mesma emissora do Morumbi (e que viria a estrear Slayers e Batalha dos Planetas em poucos meses).
Mas a Record já fez sucesso com Pokémon, que era alvo de críticas infundadas em seu auge e também em 2016, na época do game Pokémon GO. Longe de comparar as duas obras, mas ambas têm algo em comum: a crítica embasada na desinformação. Não é a toa que o próprio público reagiu com mais de 18 mil dislikes no link da reportagem no YouTube.

Não digo que Death Note não deve ser debatido. Sim, é válido, desde que a trama não seja usada como um espantalho pra obter mais audiência. No mais, o conjunto dessa matéria, por melhor intensão que ela tenha, tem margem de apenas 2%… de acerto.
Essas matérias de conteúdo Jornalístico Televisivo são risíveis, mas o que me surpreendeu foi a rejeição no Youtube. Isso reforça uma iluminação na caverna do mundo dos animes para muitos.
O mais interessante é ver da imprensa otaku que problematiza certas características em anime ir contra a emissora, mas achar o que diz sensato.
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