25 anos de Yu Yu Hakusho no Brasil e as memórias de um pré-adolescente

O quarteto formado por Yusuke, Kuwabara, Hiei e Kurama | Foto: Divulgação/Pierrot

Hoje é uma data muito especial para os fãs de animê, especialmente para quem viveu a época da saudosa Rede Manchete. Foi no distante dia 24 de março de 1997 que a emissora carioca estreou Yu Yu Hakusho, um dos clássicos mais queridos daquela geração – que não conheceu o outro mundo por querer. Não teve o mesmo fenômeno que Os Cavaleiros do Zodíaco por aqui, mas seu sucesso foi suficiente para marcar a memória afetiva dos fãs.

Lembro-me da expectativa que eu e mais alguns colegas de escola tínhamos com o lançamento. Yu Yu era exibido, inicialmente, de segunda a quinta, em dois horários: às 9h30 e às 18h30 (nas sextas era exibido o bloco U.S. Mangá nos dois horários). No primeiro, estávamos na escola e só podíamos ver na hora do recreio (é o novo!), pois a escola adotava o projeto de tele ensino (aulas pela TV com auxílio de um professor em cada sala). Mesmo assim o tempo era curto, pois não dava pra assistir o animê com apenas 20 minutos de duração.

O problema mesmo era à noite, pelo menos para quem morava aqui em Fortaleza. É que o jornal local era exibido no mesmo horário. Mas a Manchete mudava de horário de vez em quando e a programação local finalmente deu uma trégua para assistirmos Yu Yu Hakusho, sem pecado e sem juízo. Primeiras semanas sofridas, mas quero acreditar que os executivos do antigo canal 2 (uma das cinco emissoras próprias da Manchete, que hoje pertence à RedeTV!) perceberam o sucesso que o animê fazia no sul do país.

Não demorou para Yu Yu Hakusho se tornar assunto obrigatório entre mim e meus colegas de 6ª série. Formamos com o tempo o nosso próprio Time Uramashi, pois éramos quatro. Apesar de nunca ter sido um bad boy (eu bagunçava, confesso, mas com moderação), eu meio que representava o Kuwabara, por seu meu personagem favorito até hoje. E até por mérito ou algo do tipo, a minha força não chegava a ser de categoria S. Piadas internas que ainda lembro e que talvez meus antigos companheiros se lembrem de algo do tipo (rsrs).

Falei que Yu Yu era assunto obrigatório na escola? Pois é. Isso não se limitava apenas ao que a gente assistia na Manchete, mas também por informações dos próximos episódios que a revista Herói nos adiantava em tempos onde a internet engatinhava no Brasil (valeu, Marcelo del Greco).

E a trilha sonora nacional? Ah, a qualidade era tão boa, mas tão boa que cantávamos repetidamente. Apesar de a Manchete exibir os temas de encerramento pela metade (o que hoje eu entendo que não havia necessidade para tal corte), a gente cantava aqueles trechos em português até outro tema de encerramento chegar.

Uma pena que o projeto de lançamento do álbum com a trilha sonora nacional de Yu Yu Hakusho não tinha saído do papel à época (segundo o produtor Hans Zeh, em entrevista para o JBox, uma versão estendida do tema de abertura chegou a ser gravada, mas o arquivo original foi perdido em um assalto ao estúdio). Quem sabe as músicas tivessem o mesmo espaço que a Larissa & William tiveram em emissoras de rádio ou até mesmo em programas de auditório na TV para cantar os temas Sorriso Contagiante (abertura), O Tempo, Eu Vou Dizer Adeus, Amor à Deriva, Quando o Sol Brilhar Novamente e Geração dos Sonhos (o restante citado era de encerramento).

Por causa da qualidade das letras e melodias, penso que essas músicas poderiam, talvez, alcançar algum status de cult como algumas canções de um Roupa Nova da vida, à nível nacional. Mas cada uma dessas músicas é cult no coração dos fãs e isso é inegável.

Geração dos Sonhos foi a única canção que teve um TV size completo na Manchete e até hoje é a minha canção favorita, a ponto de colocá-la no volume máximo da TV numa certa vez. Já eram meados de 1998, quando a tão aguardada reta final de Yu Yu Hakusho estava em exibição. Depois disso, sobraram as infindáveis reprises e o animê já não era mais o assunto principal, sendo relembrado esporadicamente nos papos de roda.

Ainda acompanhei as reprises de Yu Yu Hakusho em 1999, nos últimos meses da Manchete, e pude ver a série chegar mais uma vez ao final, desta vez com o selo TV! (como era estilizada a abreviação da RedeTV! antes de sua inauguração oficial) no canto inferior direito da tela. Lembro que a série voltou para o início, mas, em 31 de outubro do mesmo ano, já era a hora de dizer “Sayonara, bye bye”.

Minhas lembranças do final dos distantes anos 90 ficaram marcadas por tantas coisas legais e populares como a ascensão de Ratinho na TV, as reprises de Os Simpsons depois das 22h30, a aquisição de TV por assinatura em casa, a vizinhança torcendo pelo Brasil na Copa do Mundo, etc. E, de modo particular, como se esquecer da simpática professora que tinha a cara da atriz Maria Padilha, que mascava chiclete e que conversava com o nosso time Urameshi sobre cinema e TV.

São lembranças de um tempo que não volta mais, de uma época em que as únicas preocupações de pré-adolescente era estudar pra passar de ano e estar em casa à noite para não perder Yu Yu Hakusho, fosse episódio inédito ou reprise.

Dedico esse texto aos antigos companheiros do nosso Time Urameshi: Rodrigo (Yusuke), Eder (Hiei) e Reginaldo (Kurama). E também à Gisele, nossa amiga professora da turma A da 6ª série da Escola José de Alencar, em 1997, além de ser simbolicamente a nossa mestra Genkai.

E, como fã, o meu muito obrigado ao compositor Hanz Zeh e aos cantores de Luigi Carneiro e Carla de Castro por imortalizarem as canções de Yu Yu Hakusho através do projeto YUYU20.


3 comentários sobre “25 anos de Yu Yu Hakusho no Brasil e as memórias de um pré-adolescente

  1. No último dia 12/09/22, li seu texto sobre a última transmissão de Cavaleiros do Zodíaco na Rede Manchete, por conseguinte, acabei chegando nessa postagem do Yu Yu Hakusho e, confesso, que consegui sentir no seu arrazoado o sentimento nostálgico que quisestes passar, pois, para mim, os horários dos animês na Manchete foram marcantes e possuem o poder de gatilho para lembranças infanto-juvenis. Acredito que a “hora nobre” de fato era entre 18h e 19h, pois foi essa a janela de horário que Cavaleiros do Zodíaco ocupou na maior parte do tempo durante seu “reinado”, mais precisamente entre final de 1994 e início de 1996, tendo depois Shurato ocupado tal janela, seguido de Samurai Warriors e Yu Yu Hakusho, já em 1997, conforme seu texto refere. Interessante é que Yu Yu Hakusho se manteve como titular da referida hora nobre, mesmo com o grande sucesso de Super Campeões, o qual passava a partir das 19h. Salienta-se que, após o “aprendizado” da Manchete nas infindáveis reprises dos Defensores de Atena, ela passou a transmitir os animês de segunda a quinta-feira, reservando a sexta-feira para episódios consolidados da semana ou para U.S. Mangá, postariormente. Ainda, a título de curiosidade, no Rio Grande do Sul a Rede Manchete teve sua “morte” de forma mais prematura que no restante do Brasil, pois antes da virada de 1998, já não tínhamos mais acesso ao referido canal e, posso estar enganado, sequer Yu Yu Hakusho nos foi passado na íntegra, colaborando, assim, para que o sucesso deles não fosse tão imenso quanto no restante do Brasil. Por fim, obrigado pelo “paradoxo” temporal em ler seu texto e voltar no tempo.

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