Seis perguntas que deveriam ser feitas ao “pai dos animes” no Anime Friends Tour Rio 2022

Foto: Reprodução/Animax

Há cerca de 2 anos e meio, em 23 de dezembro de 2019 pra ser mais preciso, eu publiquei este texto onde eu refuto – com provas – algumas das afirmações de Eduardo Miranda, ex-diretor da Divisão de Cinema da extinta Rede Manchete entre 1993 e 1999, sobre licenciamento, ordem de exibição e até duração de episódio final que ficou inédito na TV.

Tudo foi feito com pesquisa e perguntas incômodas (o que todo jornalista deve fazer sempre), que jamais foram respondidas claramente pelo “pai dos animes”. Quem acompanhou à época, sabe que ele ficou bastante irascível contra este blogueiro, induziu seus seguidores para me atacar no meu perfil pessoal no Facebook, tentou me intimidar, me censurar, me chamou de vários adjetivos impronunciáveis (só não me chamou de santo) e até me chamou pra briga – tudo isso em plena noite de Natal, vejam vocês.

Mas a tática não deu certo, pois minha casca é grossa, não baixei a cabeça, não cedi às provocações, tive apoio de leitores e produtores de conteúdo que sempre mantiveram ceticismo com as declarações do “pai” e ainda cheguei a escrever outros dois textos em 2020 (leia aqui e aqui), após algumas das entrevistas que ele concedeu depois do ocorrido e, pra variar, batendo na mesma tecla.

Pois bem. Miranda foi confirmado na semana passada como atração da edição carioca do Anime Friends, que será realizada no mês que vem. A chamada no Instagram deixou escapar essa pérola:

“Eduardo (Miranda) foi diretor da divisão de cinema da Rede Manchete, e foi o responsável (por) trazer ao Brasil títulos como Os Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho, Sailor Moon, Black Kamen Rider RX (???), Jaspion, Changeman, Jiraya e muitas outras obras que compuseram a famosa “Era de Ouro” dos animes no Brasil!

Na mesma rede social, a página Geração Manchete, dedicada à divulgação de séries de animê e tokusatsu exibidas na saudosa emissora carioca, foi direto ao ponto e questionou essa afirmação de que ele seria o “responsável” por trazer tais títulos. Ainda foi perguntado sobre o tal “Black Kamen Rider RX” (uma fusão das duas formas de Issamu Minami?). Miranda respondeu dizendo que solicitou a alteração do texto, pois estava “errado”. E ainda afirmou que RX foi um “mérito” de sua gestão.

O Anime Friends alterou a chamada e ficou assim:

“Como Diretor da Divisão de Cinema da Rede Manchete, Eduardo Miranda foi o responsável, direto, pela aprovação artística de animes e Tokusatsus adquiridos pela emissora nos anos 90. Entre eles Os Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho, Sailor Moon, Kamen Rider (Black) RX, Winspector, entre outros! Isso sem falar da renovação dos contratos dos já famosos Tokusatsus da casa, como Jaspion, Jiban, Jiraya, Changeman e muitos outros que já divertiam os fãs desde os anos 80!

Ou seja, um erro foi corrigido e surgiu outro no lugar. Eu não estarei na edição carioca, pois moro em Fortaleza e estarei por aqui a trabalho durante o período. Mas gostaria muito de fazer seis perguntas, que, aliás, qualquer fã atento e corajoso deveria fazer pessoalmente para ele durante sua apresentação. São elas:

  1. Se hoje é incorreto afirmar que Miranda trouxe as séries japonesas exibidas na Manchete para o Brasil, então porque o próprio disse em entrevistas, num passado não muito distante, que trazia, dando a entender que ele fazia papel de licenciador?
  2. Se Miranda realmente trazia as séries para o nosso país, então surge outra dúvida: a Divisão de Cinema da Manchete tinha poder, ou melhor, orçamento para bancar essa demanda?
  3. Onde entra o (legítimo) mérito de distribuidoras como Tikara Filmes, Sato Company e Samtoy nessa história?
  4. Kamen Rider Black, Cybercop, Maskman e especialmente Jiraiya foram os únicos clássicos da primeira fase do tokusatsu na Manchete que foram reprisados pela emissora entre 1993 e 1999, período da gestão de Miranda na Divisão de Cinema. Dito isso, como houve renovação de contrato de Jaspion e Changeman, se ambas foram reprisadas pela Manchete até meados de 1992 e depois foram parar na Record e na CNT/Gazeta?
  5. Ainda falando sobre renovação, como Jiban pode estar na lista, se a emissora jamais exibiu, apesar de ter sido renovada pela Tikara (junto com Jiraiya) pouco antes do agravamento da crise final da Manchete?
  6. E aqui vai uma pergunta de um milhão de dólares: Miranda já afirmou em duas ocasiões que anunciou Love Hina em 1998, sendo que o animê estreou no Japão em abril de 2000 – 11 meses depois da extinção da Manchete? Será que essa tal aquisição foi muito cara a ponto de quebrar a emissora junto com a novela Brida?

Sei que esperar uma resposta clara e objetiva de Miranda, que realmente coincida com os registros da época e entrevistas com licenciadores, seria o mesmo que esperar cair neve aqui no Ceará. Mas seria interessante esse exercício para saber qual seria sua reação, se ele realmente estaria tranquilo pra responder ou se irritaria com um espectador. Quem sabe um dia eu consiga uma entrevista com Miranda, sem desavenças, é claro. Eu faria estas e outras perguntas sem medo, só para tentar entender e tirar a prova dos nove das pesquisas que eu e outros produtores sérios de conteúdo fizemos em todos esses anos.

Aproveito para deixar aqui uma sugestão: Miranda no “Roda Vida” do tokusatsu com as perguntas dos produtores de conteúdo. Eu seria o primeiro a dizer sim para participar.


2 comentários sobre “Seis perguntas que deveriam ser feitas ao “pai dos animes” no Anime Friends Tour Rio 2022

  1. Eu cheguei a comentar em um vídeo do Canal “Games e Nerdices” sobre esse cara não ser nada disso, mas o Fábio meio que não deu ouvidos. Entrevistar esse cara dando esse “méritos” que ele não tem é um erro grosseiro de vários canais no YouTube.

    Curtir

Deixe um comentário