
Voltei para São Paulo para visitar um famoso evento de cultura pop japonesa. Fazia algum tempo que não ia e desta vez eu me programei para estar lá de qualquer jeito, já que a edição era mais do que especial. Pela primeira vez no Brasil, em mais de duas décadas, o cantor Ichiro Mizuki era atração confirmada. Não pensei duas vezes e tinha que estar lá de qualquer jeito. O motivo era nobre, já que Mizuki é veterano nas músicas de animesong e não se sabe quando teremos outra oportunidade de ouro.
Entrei no evento com acesso de imprensa e me preparava para entrevistá-lo. Fiz questão de estar lado a lado com um dos artistas que marcaram minha infância, principalmente com as canções de Spielvan. É claro que tinha um tradutor para auxiliar na entrevista, pois sei quase nada de japonês. Isso pra não dizer que sei poucas palavrinhas vindas da Terra do Sol Nascente.
Mizuki foi bastante cordial com este que vos escreve e eu não conseguia acreditar que estava diante do cantor, que é reverenciado por fãs de animê e tokusatsu. Conversamos sobre o início de sua carreira, suas influências no mundo musical, suas motivações para se manter ativo em sua carreira e como ele fazia para manter sua voz cada vez mais potente.
Depois da gravação, conversamos por mais algum tempo, trocamos ideias sobre esse universo de super-herói que a gente curte e é claro que eu pedi para tirar uma foto com ele. Mizuki foi super gentil comigo e ele fez aquele gesto de apontar o dedo para a câmera, que é sua marca registrada. Acabei fazendo o mesmo em homenagem. Ele teve que sair para o ensaio de seu show que aconteceria no último dia do evento.
Mas teve um detalhe: minha emoção de fã foi tão grande, mas tão grande de um jeito que esqueci de pedir um autógrafo para ele. Queria guardar como lembrança e colocar ao lado de autógrafos de outros cantores que conheci pessoalmente como Akira Kushida, Takayuki Miyauchi, Hironobu Kageyama, Nobuo Yamada, Yumi Matsuzawa, Ricardo Cruz e o saudoso Koji Wada. Ora, mas eu tinha a foto com o grande Mizuki, o imperador das animesongs. Era um registro pra marcar a minha vida e estava feliz com parte do sonho realizado.
A outra parte desse sonho era ver o seu grande show. Uma coisa era ver as apresentações de Mizuki na tela do YouTube, mas a sensação era ainda maior e sem igual. Ele era um verdadeiro showman, de alta performance e sua voz contagiava o público de maneira indescritível. Impossível não cantar junto canções de séries de animês como Mazinger Z, Combattler V, e principalmente de tokusatsu como Kamen Rider X, Kamen Rider Stronger e Akumaizer 3.
Como tinha que ser, Mizuki cantou as canções que o público da geração Manchete queria ouvir, como das séries Spielvan, Metalder e Kamen Rider Black RX. Particularmente a minha favorita vem da última citada, que se chama “Towa no Tame ni Kimi no Tame ni”. E assim como eu via na internet, Mizuki cantava com um brado mais forte que o calor do Sol e do Magma. Era sem igual! Estávamos diante de um verdadeiro monstro sagrado das músicas do gênero. E finalmente pude entender o porquê dele ser chamado de “Aniking”, o rei das animesongs.
De maneira particular, eu me emocionei, quase caí em prantos, quando ouvi Mizuki cantar no palco a música “Beautiful Wolves”, de Ashita no Joe. Embora não seja o cantor original da trilha sonora do animê, ele foi um dos que chegaram a regravar, de tão especial que é para a atmosfera da trama baseada no boxe. Pra mim, a trama passou como um filme na minha cabeça, até imaginar a cena do episódio final de Ashita no Joe 2.
Um show inesquecível que durou umas 3 horas. Seria um pedaço de uma daquelas maratonas que Mizuki chegou a fazer certa vez no Japão, cantando direto e interagindo com o público. Valeu a pena o esforço para sair de Fortaleza para São Paulo, a capital que é a principal referência para shows do tipo. Valeu a pena ficar até mais tarde naquele centro de eventos, cobrindo o evento. Foi inesquecível e lembro que não consegui dormir, pois entrevistei Mizuki, bati um papo com ele como se fôssemos velhos amigos e acompanhei do início ao fim o seu grande show. Por um lado, me senti como uma criança que queria ver seu herói de infância e, de fato, o conheci. Foi um dia especial que jamais esquecerei e que quero contar para meus filhos e netos.
Dormi muito tarde e quando acordei eu estava na minha casa, em Fortaleza, e me dei conta de que tudo não passou de um sonho. Um sonho de um fã que jamais será realizado, já que Mizuki nunca veio ao Brasil. Coisas da vida, circunstâncias que acontecem ou deixam de acontecer por algum motivo. No mais, esse sonho que tive certamente é de muitos que queriam vê-lo no palco algum dia. Fica então a saudade de um show que eu queria ver e nunca presenciei no país.
*Ichiro Mizuki morreu no último dia 6 de dezembro, vítima de um câncer no pulmão com metástase linfonodal e cerebral, e seu falecimento foi divulgado nesta segunda-feira (12).
Lembro da música do anime Dangaioh, marcou muito!!!! valeu
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