1994: O ano em que a cultura pop japonesa transformou o Brasil

Winspector foi um dos sucessos da extinta Manchete | Divulgação: Toei

Há exatos 30 anos, no dia 1º de julho de 1994, ocorreu um divisor de águas para o Brasil com a inauguração do Real, após vários planos econômicos fracassados. Aquele ano foi inesquecível para o país por vários acontecimentos que refletem até hoje.

No fatídico 1º de maio daquele ano, choramos a morte do grande Ayrton Senna durante o Grande Prêmio de San Marino em Ímola, na Itália, pela Fórmula 1. Por outro lado, em 17 de julho, a Seleção Brasileira conquistou o tetracampeonato nos pênaltis contra a Itália, na final de Copa do Mundo mais emocionante das últimas décadas.

Na TV brasileira, tivemos as estreias da clássica série infantil brasileira Castelo Rá-Tim-Bum na TV Cultura, das novelas A Viagem e Quatro por Quatro na Globo, e até um remake do clássico Éramos Seis no SBT.

No cinema, vimos lançamentos como O Rei Leão, O Máskara, Pulp Fiction, Forrest Gump, True Lies, Debi e Lóide, e Ace Ventura: Um Detetive Diferente. E só pra citar: Steven Spielberg também ganhou seu primeiro Oscar em 25 anos de carreira com o filme A Lista de Schindler.

Capa da primeira edição da revista Herói, publicada em dezembro de 1994 | Reprodução

Enquanto o Brasil lidava com mudanças econômicas, eleições presidenciais e estaduais e eventos esportivos de grande impacto, um fenômeno cultural emergia nas telinhas e nas bancas de revista.

Em 26 de dezembro de 1994, surgiu a revista Herói, um fenômeno que ajudou a sedimentar a cultura pop para toda uma geração de crianças, adolescentes e jovens adultos que consumiam várias mídias da cultura pop. O sucesso da Herói talvez não fosse o mesmo sem a febre do animê Os Cavaleiros do Zodíaco, numa era sem internet e sem redes sociais.

Esses dois fenômenos transformaram a infância de muitos brasileiros. Antes da estreia de Cavaleiros, que ocorreu por aqui em em 1º de setembro de 1994, o termo “animê” era praticamente desconhecido no Brasil.

Historicamente, antes de Seiya e cia embarcarem em nosso país, tivemos “desenhos japoneses” clássicos como O Oitavo Homem, Fantomas, Sawamu, o Demolidor, Speed Racer, Patrulha Estelar, Pirata do Espaço, Don Drácula, As Aventuras do Pequeno Príncipe, Doraemon, entre tantos outros.

No gênero tokusatsu (termo que também não conhecíamos na época, e que se refere às produções japonesas de ação com efeitos especiais), começava a era de prata dos heróis com as estreias de Patrine e Winspector na Manchete, em julho de 1994. Era uma nova aposta do empresário Toshihiko Egashira, que anos antes trouxe Jaspion, Changeman e outros títulos similares. Por outro lado, Power Rangers começou sua primeira exibição no Brasil pelo antigo canal Fox (atual Star Channel) em outubro de 1994, meses antes de estourar nas manhãs da Globo.

A infância de quem assistia a essas séries japonesas em 1994 nunca mais foi a mesma, e ela continua viva na memória afetiva de cada um que passou por aqueles bons tempos que não voltam mais.

Além disso, foi graças ao sucesso de Cavaleiros que temos, até hoje, eventos de cultura pop, expansão de franquias, remakes, reboots e revivals de séries do tipo. O tokusatsu também teve sua contribuição no Brasil, que havia começado bem antes, em diferentes épocas.

Os Cavaleiros do Zodíaco se tornou um fenômeno no Brasil em 1994 | Divulgação: Toei

Nada se iguala a uma sucessão de lançamentos que nos acompanham até hoje. Dizer que 1994 foi um divisor de águas (como eu citei no início deste post) é quase um eufemismo. Aquele ano representou um recomeço para a difusão da cultura pop em nosso país.

Se ainda curtimos os heróis japoneses, após 30 anos, devemos aos dois fenômenos: Herói e Cavaleiros. Parte da vida não seria tão divertida se não fosse a nostalgia daqueles belos dias.

1994 foi um ano inovador para a cultura pop no Brasil, especialmente se tratando sobre conteúdos japoneses por aqui. Ou seja, mudou para sempre o olhar que temos sobre animês, mangás e especialmente tokusatsu, que sempre foi o carro-chefe deste blog.

Olhar para o futuro mirando no que deu certo no passado.

PS: É com este texto que anuncio oficialmente a volta do Blog Daileon e deste que vos escreve, após um ano de hiato. O blog retorna com notícias, comentários e opiniões sobre tokusatsu e o melhor da cultura pop japonesa de ontem, hoje e sempre. Além de muitas novidades.

Fique ligado! Os novos posts serão publicados por aqui de segunda a sexta, às 9h13 da manhã. Me siga também no Facebook, X (antigo Twitter), Instagram e YouTube pelo @blogdaileon.

See you later, alligator.


3 comentários sobre “1994: O ano em que a cultura pop japonesa transformou o Brasil

  1. Em 1994 eu já estava saturado com os tokusatsus então nem liguei para o Winspector, também depois de 6 anos e tantas reprises na rede Manchete. rs. Lembro da “revolução” que foi o início da exibição de Cavaleiros do Zodíaco e consequentemente o lançamento da revista Herói, que chegou na tempestade perfeita. Me arrependo de ter vendido minha coleção.

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