‘Tojima’ chega ao fim e nem o clássico ‘Kamen Rider’ salva o animê do tédio

Tojima se apresenta com sua máscara (tamanho infantil) do Kamen Rider | Divulgação: Liden Films

Se você assistiu a todos os 24 episódios de Tojima Wants to Be a Kamen Rider, que chegou ao fim neste sábado (21) pela plataforma de streaming Crunchyroll, você é um guerreiro. O animê, baseado no mangá de Yokusaru Shibata, é carregado de homenagens à primeira fase da franquia, criada pelo lendário mangaká Shotaro Ishinomori. E é claro que isso foi o chamariz para muitos fãs de tokusatsu.

Por um lado, a série é divertida em vários momentos de escracho ao meio otaku. No caso, fãs que se autodenominam como personagens de Kamen Rider e passam a enfrentar a própria organização maligna Shocker (da série original de 1971). Por outro lado, o roteiro se perde em fanservices exagerados que afastaram boa parte do público mais velho (o animê foi exibido nas madrugadas da TV japonesa).

Tojima se passa em um mundo onde os Kamen Riders são personagens da TV, assim como conhecemos na vida real. Porém, sem explicação alguma, a Shocker existe e está infiltrada no meio da sociedade. O líder da organização nunca apareceu no animê, apesar de vermos monstros como o Homem-Aranha, o Homem-Morcego (ambos do primeiro e segundo episódio da série de 1971, respectivamente) e, é claro, os Combatentes da Shocker (“Yeee!”).

A graça de Tojima está justamente no fanatismo dos personagens, que são carismáticos de alguma forma. O público de animês já está mais habituado a personagens engraçados (ou alguns que tentam ser) que gritam por tudo. Seja por alegria, raiva ou frustração. Afinal, trata-se de uma comédia. Tudo isso regado a referências aos Riders clássicos, com direito a algumas cenas refeitas em animação.

Mas o grande problema de Tojima foi o excesso de fanservice, algo que causou estranheza em parte do público. Algumas pontas ficaram soltas, como, por exemplo, a trama inútil da idol viciada em lámen que se apaixona pela versão humana do Homem-Aranha (Man-Spider, na dublagem brasileira). O tal rival que demorou dois anos para rever sua amada ficou num mistério que quase ninguém vai lembrar.

Talvez a única coisa que fará falta em Tojima Wants to Be a Kamen Rider será a trilha sonora — pelo menos para este que vos escreve. Mas ela pode ser revisitada a qualquer momento nas plataformas digitais (♪ Now, lead Rider, Rider, Rider ♪). A série em si é legal pelo conjunto da obra, mas está longe de deixar tantas saudades assim.


11 comentários sobre “‘Tojima’ chega ao fim e nem o clássico ‘Kamen Rider’ salva o animê do tédio

  1. Uma visão rasa, parece mais uma tentativa de desmerecer, do que entender a obra. A mistura de conceitos a questão de brincar com o lúdico das crianças dos anos 70/80 e 90 em terras brasileiras de querer ser o herói, da questão filosófica do desejar e acreditar, a própria jornada de encontrar pessoas com os mesmos sonhos, seja as referências, o saudosismo, as adaptações, a crítica resolveu ser feita para agradar quem não gostou. Várias questões ficam em aberto além da idol do lamem como a própria origem tanto da shocker quanto a de seus monstros. Como a lavagem cerebral realmente funciona e se ela é fraca ao ponto de ser quebrada somente com amor? Um combatente pode vir a virar realmente um monstro? Já existiu um kamem Rider real no mundo da obra? Questões que o mangá pode ter já respondido mas que quem viu o anime desconhece. E sim a galera mais velha que assiste curtiu e os números indicam a possibilidade de uma segunda temporada.

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    1. É anime no foco do saudosismo, quem não assistiu a Rede Manchete e quis ser herói na infância ou carregou consigo o sentimento de querer fazer o mundo melhor?

      Existe uma profundidade que não é alcançável por todos, tem gente que acha Yaoi mais profundo…

      ¯\\_(ツ)_/¯

      Curtido por 2 pessoas

  2. O anime é incrível! Mexer com o saudosismo de forma exagerada é exatamente a premissa dele… Se você não entendeu isso, meu amigo, é por isso que colocou uma opinião ruim dessas… Eu, meus amigos e até minha esposa gostou… Tente rever seus conceitos na próxima tentativa de desmerecer algo bom.

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  3. Meu caro César Filho – é o jornalista do SBT Brasil? -, parece que não assistimos ao mesmo anime – ou talvez você só não tenha assistido com a mesma atenção que assiti.

    A questão do fan service, é algo que não vou criticar pois, este é voltado para atender aos fãs da franquia Kamen Rider – principalmente os fãs das séries mais antigas/classicas – e parece que você não é esse público. E está tudo bem.

    Mas em relação as “pontas soltas”, algumas delas não parecem ser de fato para serem amarradas – pelo menos não neste momento da história – e são apenas gatilhos para introduzir algo maior.

    Como o caso da idol “viciada” em lamem, que você mencionou, sua introdução é o que liga alguns pontos na trama. Ela aprofunda a curiosidade do monstro Homem-Aranha em relação aos humanos e o que os torna tão fortes, curiosidade essa que foi despertada por seu encontro com os Riders – principalmente o Tojima – e fortalecida por seu encontro com o ex-lutador que ficou forte demais – e acabou se tornando parceiro de treino do Homem-Aranha. A idol dos lamens também conecta o yakusa na trama do exército de idols combatentes do Homem-Morcego.

    Esses foram alguns pontos que talvez, se tivesse assistido com um pouco mais de atenção, teriam, pelo menos, desfeito a sensação de pontas soltas. Mas é evidente que o anime não finalizou a história – de certa forma, só finalizou o arco dos irmãos vingando os avós – e que precisa de uma segunda temporada.

    Além disso, Tojima Wants to Be a Kamen Rider é uma série que aposta muito no saudosismo de quem é fã de longa data da franquia Kamen Rider, contudo, ela é receptivel a espectadores que não possuem vínculo com as séries de Kamen Rider. Acredito que ela deva agradar aqueles gostam de séries como One Punch, visto que, em Tojima Kamen Rider, temos pessoas, aparentemente, normais despertando um “poder” que vai além dos limites de seres humanos normais – bem ao estilo do Saitama.

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  4. Acho que sua opinião, com todo o respeito, pareceu mais uma dor de cotovelo por não se tratar de uma trama “séria”, do que realmente algo sólido. Na minha opinião, fazia tempo que não encontrava um anime com um humor tão engraçado e que consegue ser “universal” e fortemente cultural ao mesmo tempo. Nem sou fã de Kamen rider, mas as referencias estavam muito claras que eram bem mais que o fã service: na verdade era o motor principal da obra. E o autor soube usar isso muito bem e de forma sempre criativa. Realmente tem vários pontos não finalizados, mas como muitos disseram, são ganchos que permitem continuar a história.

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  5. Puts, completamente diferente do que achei, todo sábado ficava animado para um novo episódio, há tempos não me sentia assim com algum anime e nem sou fã e conhecedor da franquia kamen rider e estou pensando seriamente em começar assistir as séries clássicas que o Tojima é fã, além disso, cheguei nesse site por causa do anime , estou em busca de informações se vai haver uma segunda temporada, mangá e bastidores dessa produção.

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