
Se você ainda não viu Stranger Things: Histórias de 85, a mais nova animação baseada na série Stranger Things (2016~2025), não tenha tanta pressa em acompanhar. Apesar de os novos personagens não gerarem uma grande conexão com o público, vale a pena assistir pela curiosidade. Mas nada que exija uma urgência em maratonar. Um ou dois episódios (de um total de 10) por dia são suficientes.
Esse post não chega a ser uma resenha sobre Histórias de 85, muito menos carrega spoilers (fique tranquilo). Mas aqui vale citar um furo cronológico que a própria série animada cometeu. Já que quase ninguém percebeu, eu mesmo conto por aqui. A nova trama, que é canônica (se passa entre a segunda e a terceira temporada do live action), continua a fazer menções a músicas e produções dos anos 80.

Situada em janeiro de 1985, Histórias de 85 faz menção ao clássico desenho She-Ra: A Princesa do Poder, que fez bastante sucesso nos EUA e também no Brasil. O ponto é que She-Ra é mencionada como se estivesse passando normalmente na TV norte-americana, em pleno inverno daquele ano. Algum problema nisso? Sim, e é um absurdo histórico.
Veja: She-Ra estreou em 9 de setembro de 1985 e rendeu duas temporadas, chegando ao fim em 12 de dezembro de 1987. Dito isso, como pode She-Ra passar em janeiro de 1985, num frio de rachar nos EUA? Não faz sentido algum. Tá certo que a intenção da produção foi bacana por encaixá-la na linha investigativa da animação, mas não dá pra negar que isso foi um erro crasso.
Todas as produções têm um ponto zero, o dia de estreia. Logo, não faz sentido dizer que She-Ra estreou antes de setembro de 1985 — ou que já estava no ar em janeiro daquele ano —, já que a série é um spin-off de He-Man e os Mestres do Universo. Aliás, He-Man foi exibido originalmente entre 26 de setembro de 1983 e 7 de dezembro de 1984, rendendo duas temporadas.
Ou seja, em janeiro de 1985, nenhuma das duas séries da Filmation estava no ar. Muito menos She-Ra, que estava sendo planejada para ir ao ar no final daquele ano. Isso sim foi uma bola fora daquelas — e mais controversa que o próprio final da série live-action, que dividiu opiniões.