Criticar Kamen Rider Black Sun não é problema; mas é injusto julgar por julgar o tokusatsu da era “pós-Manchete”

Os Riders da série reboot disponível mundialmente pelo Prime Video | Divulgação/Toei/Ishimori Pro

Quando eu penso que Kamen Rider Black Sun já “envelheceu” depois de seis semanas da estreia no Prime Video, com todos os seus 10 episódios lançados de uma só vez, eu acabo me deparando com algum rumor de treta sobre a série. Isso não é novidade no fandom brasileiro de tokusatsu, pois eu já vi gente brigando nas redes sociais sobre “o visual ridículo de Kamen Rider Ex-Aid”, “Super Sentai é melhor que Power Rangers” e outras bobajadas do tipo. Estou acostumado a ouvir/ler coisas do tipo.

Então, eu confesso que não tive o menor interesse em acompanhar sobre a confusão em torno do reboot do bom e velho Kamen Rider Black. Sei que a discussão é sobre política e isso já era esperado, uma vez que a série abordou isso de forma mais intensa.

Eu não quero e não vou discutir qual a visão de mundo de Kazuya Shiraishi, o diretor de Black Sun, e nem do saudoso mangaká Shotaro Ishinomori, criador da franquia Kamen Rider, doa a quem doer. Na minha humilde opinião, os temas políticos abordados na série não servem como proselitismo para um ou outro lado partidário.

Tais discussões seriam inevitáveis de todos os lados ideológicos, para o bem ou para o mal. Mas não é disso que eu quero discutir e sim sobre entretenimento. Eu quero falar sobre tokusatsu. E o que me intriga como produtor de conteúdo da área é a falta de conhecimento de causa de alguns colegas, que até curtem tokusatsu, mas carregam o sentimento de saudosismo e condenam qualquer coisa do tipo que não venha da época da Manchete.

Veja: não há nenhum problema em uma pessoa na casa dos 30 ou 40 anos curtir Kamen Rider Black, Kamen Rider Black RX e ser somente fã destas séries da franquia. O mesmo vale para quem curte somente as séries tokusatsu da época da Manchete. O problema mesmo é quando se coloca séries da década de 1980 no pedestal e se fechar em uma redoma a ponto de desprezar qualquer série da era pós-Manchete.

Sinceramente, eu acho injusto quando eu vejo críticas desnecessárias contra alguma série recente de Kamen Rider, por exemplo, sem que o crítico tenha visto tal série e venha a tratar tais produções com desdém. Eu acompanho as séries atuais e digo que têm boas séries sim e outras nem tanto. O preconceito vem desde os efeitos especiais que não são os mesmos da época da Manchete até as cores e formas dos heróis. Ou seja, é o mesmo que julgar o livro pela capa. Quem está habituado no fandom de tokusatsu sabe o que eu quero dizer.

O pior é que acaba sobrando até pro mangá original de Kamen Rider Black, de Ishinomori, que fica taxada de “ruim” por quem visivelmente nunca leu a obra e alega não precisar disso como base para entender o conceito, principalmente agora com uma série que ganhou uma versão reboot.

É claro que ninguém precisa necessariamente ter lido o mangá de Black pra emitir uma opinião sobre Black Sun, mas o meu ponto é que alguns fãs conhecem por alto a obra original e acabam entendendo, por curiosidade e pesquisa, a visão que o rei do mangá tinha na época. Houve elementos do mangá do Ishinomori que foram referenciados e, na minha percepção, eu também vi ali na série reboot elementos parecidos com os filmes Shin Kamen Rider: Prologue, Kamen Rider ZO e Kamen Rider J.

Quantidade de elementos não faz a trama ser boa ou ruim. No caso de Black Sun, eu já alertava sobre isso neste texto de um ano atrás que a série iria decepcionar saudosistas. Não deu outra. Vários saudosistas se escandalizaram com a violência gore (algo já visto em Kamen Rider Amazons, também disponível no mesmo Prime Video), teor voltado para o público adulto (algo que acontece há algumas décadas no tokusatsu) e por aí vai. É que a produção já havia antecipado alguns sinais de como a coisa seria diferente da série de 1987 e, na opinião deste blogueiro, Black Sun tem lá algumas pontas soltas sim, mas não chega a ser ruim.

Dito isso, qualquer espectador de Kamen Rider Black Sun, seja um fã ou não de tokusatsu, é livre e está no direito para criticar a série. Eu mesmo discordo de opiniões contrárias às minhas, principalmente de quem não tem conhecimento de causa sobre o gênero. Teria o maior prazer de debater e trocar ideia no respeito, na cordialidade e, quem sabe, tomando um cafezinho que não faz mal a ninguém. Afinal, discordar não é ofensa.

Ah, eu gosto sim de tokusatsu de qualquer época. Se eu dissesse que não há roteiro ruim, eu seria desonesto e estaria loucamente apaixonado pelo gênero ao invés de analisar tais produções. Eu mesmo detesto alguns personagens de Super Sentai, por exemplo, que gritam loucamente e sem a menor graça. Como diria o Tiririca na época da Escolinha do Barulho: “Quando eu gosto eu gosto, mas quando eu odílio, eu odílo”. 🙂


Um comentário sobre “Criticar Kamen Rider Black Sun não é problema; mas é injusto julgar por julgar o tokusatsu da era “pós-Manchete”

  1. Particularmente achei a trama ridícula e forçada, especialmente considerando os visuais dos monstros que ficaram sem noção.

    Fora que fizeram um infame bait&switch tipo aquele do Masters of The Universe Revelations que fez os fãs de idiotas.

    Tudo bem fazer um reboot, mas a ideia de enganar a audiência e dar a falsa sensação de segurança foi covardia.

    Para variar, nem todos iriam concordar com o fato de adaptar o mangá que tinha tudo haver com o pessimismo de Shotaro Ishinomori.

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