
É meio estranho pensar que uma série tokusatsu terminou agora, em meados de julho, e essa será uma tendência neste período de hiato de Super Sentai. Super Space Sheriff Gavan Infinity, primeira série da franquia Project R.E.D. (Records of Extraordinary Dimensions), fechou mesmo com 23 episódios, como previsto antes da estreia. A Toei criou uma grande expectativa e boa parte desse apelo veio do nome do primeiro Metal Hero.
Infelizmente, nem sequer houve uma conexão com a série clássica de 1982. Apenas algumas referências a esta e outras séries Metal Hero. Kakusei Hunter Omegahorn, a nova série do Project R.E.D., carrega pelo menos uma referência: com exceção do boné, a máscara do Capitão Omegahorn é parecida com a de Sharivan, o segundo Policial do Espaço. Mas vamos nos deter no balanço de Gavan Infinity.
O conjunto da obra é bom, teve personagens carismáticos, mas nada disso foi suficiente para desenvolvê-los com o tempo. Aliás, o tempo foi o grande inimigo da série (bem mais que Aza Zorth) e a Toei não soube aproveitá-lo bem a favor da produção. A proposta de explorar o multiverso é interessante, visto que os três principais Policiais do Espaço — Gavan Infinity, Gavan Bushido e Gavan Luminous — são de mundos diferentes.
Ainda teve o Gavan Raiya (uma clara referência ao Jiraiya, de 1988), que criou uma ponte para que os demais heróis finalmente se encontrassem na reta final. Outros Policiais do Espaço surgiram, como o tal Gavan Ameise (a famigerada formiga), por exemplo. No fim das contas, esses Gavan se tornaram dispensáveis na trama. O ladrão fantasma Fade era um personagem legal, mas sua verdadeira identidade não foi explorada como deveria.

Gavan Infinity era uma série que deveria ser promissora, como a Toei vendeu desde seu anúncio oficial no final de 2025. Tem cara de Metal Hero, mas com os mesmos problemas que as séries Super Sentai apresentavam nos últimos anos. E a impressão que fica é que o Project R.E.D. é praticamente feito “às pressas”. Por mais que a intenção da Toei seja boa — e por questão de necessidade comercial —, Gavan Infinity não deixou um legado por falta de esmero da Toei.
Dificilmente os expectadores de 2026 vão lembrar da série como algo “nostálgico” daqui a quarenta e poucos anos. “Tapa-buraco” seria o termo perfeito para sintetizar Gavan Infinity nesse período de jejum de Super Sentai. E Omegahorn deve seguir pelo mesmo caminho. Torço para que a nova série venha ao Brasil, com distribuição da Sato Company. Se tiver sinal verde, assistirei semanalmente. Mas não com aquela empolgação que tenho hoje com um Rider ou um Ultraman da vida. Vai ser mais pela curiosidade do que qualquer outra motivação.
Veja: Gavan Infinity seria uma série mais memorável se durasse um ano. Seria tempo mais do que suficiente para explorar os dramas dos personagens com mais profundidade. A série foi boa? Sim, mas ainda está longe de ser aquela inovação prometida meses atrás pela Toei.
