Geração Bioman: ascensão, queda e ressurgimento do tokusatsu na França

Bioman, o maior clássico japonês na França | Divulgação: Toei

Em 17 de junho passado, o canal TokuDoc — comandado pelo amigo Danilo Modolo — publicou o segundo vídeo sobre tokusatsu na França. Cinco produtores de conteúdo da terra da Torre Eiffel foram entrevistados pelo também amigo Rafael Ribeiro, que conduziu uma entrevista com cerca de três horas de duração. Se tratando desse gênero de produção, a história dos franceses é um pouco parecida com a nossa aqui no Brasil em alguns aspectos, mas com um contexto bem diferente.

Ao invés das tradicionais exibições diárias (com reprises quase intermináveis) que tínhamos na TV brasileira, o público francês assistia às séries tokusatsu semanalmente. As exibições aconteciam geralmente às quartas-feiras. No verão, havia reprises das séries com um episódio por dia, de segunda a sexta. Episódios finais das séries eram exibidos em maratonas em algum final de semana.

A primeira série tokusatsu a chegar à França foi Spectreman (1971), com a mesma adaptação americana feita pelo diretor Mel Welles (1924~2005) — exibida também no Brasil na década de 1980, pelas emissoras Record e SBT. Curiosamente, Welles é mais conhecido pelos entusiastas de cinema por ser um dos astros principais do filme A Loja dos Horrores (1960).

Spectreman quase foi a primeira série tokusatsu exibida na França | Divulgação: P Productions

Originalmente, Spectreman estava previsto para estrear na França em 1979 (um ano após a exibição da série nos EUA). A novidade ganhou divulgação em artigos em revistas infantis da época. Até ganhou espaço em um telejornal, que anunciou a estreia da série tokusatsu no lugar do animê Goldorak (esse era o nome francês para Grendizer, série da franquia Mazinger Z [do mangaká Go Nagai], exibido no Japão entre 1975 e 1976). Porém, por razões desconhecidas, outra série tokusatsu entrou no lugar.

Muito provavelmente por causa do sucesso de Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (1977), San Ku Kaï (título francês para a série Message from Space: Galactic Wars, de 1978) estreou primeiro. Essa decisão de última hora veio por parte de Jacqueline Joubert, então diretora de programas infantis da emissora francesa Antenne 2. Spectreman só estreou mesmo na França em 1982.

Por um lado, nós, brasileiros, tivemos National Kid (1960) como a primeira série tokusatsu na TV, a partir de 1964. Spectreman só estreou aqui no Brasil a partir de 1980, pela TVS do Rio de Janeiro (atual SBT Rio). Temos mais tempo de tokusatsu na telinha do que na França. Mas esse humilde começo para os franceses era apenas a ponta do iceberg do fenômeno que estava prestes a acontecer.

Sinônimo de tokusatsu na França

Linha de brinquedos de Bioman 3: Liveman | Reprodução

No artigo anterior sobre tokusatsu na França, falamos sobre a repercussão de Gavan, que foi rebatizado como X-Or — e a origem inusitada para esse nome. Porém, o tokusatsu de grande sucesso no país foi Bioman, série Super Sentai de 1984, inédita no Brasil. Jordan Guichaux, produtor de conteúdo e criador do canal Toku Scope, explicou na entrevista a contextualização desse fenômeno.

“Bioman, pelo que me lembro, chegou quase ao mesmo tempo que no Japão, em 1985. E foi exibido primeiro na rede Canal+. Só depois houve a exibição no (programa) Club Dorothée (pela emissora TF1). E é por volta de 1987, ao que me parece, que a série chega de fato ao Club Dorothée, e foi aí que passou a quase totalidade dos Sentai exibidos na França.”

Nota: Na França, Bioman foi chamado como se escreve mesmo, e não pela pronúncia em inglês “Baioman” (バイオマン).

Na sequência, Flashman (1986) teve a infelicidade de ser exibido uma única vez, passando despercebido numa manhã de sábado. Isso explica o motivo de Maskman (1987) e Liveman (1988) serem renomeados na França como Bioman 2 e Bioman 3, respectivamente. Em outras palavras, “Tudo foi puro marketing: resgatar a marca Bioman para vender outras séries”, como ressalta Guichaux.

Exibido no Brasil pela extinta Manchete, Maskman fez sucesso na França como “Bioman 2” | Divulgação: Toei

Para Fabien Mauro, co-criador do canal Toku Scope e autor dos livros Ishirô Honda: humanisme monstre (2018) e Kaiju, Envahisseurs & Apocalypse : L’âge d’or de la science-fiction japonaise (2020), “Bioman já encarnava, já era o emblema do Super Sentai na França“. Ele ainda frisa como o público francês se identificava com os heróis multicoloridos.

Não falávamos em Super Sentai, falávamos em “Bioman”. E isso deu uma boa contribuição para a visibilidade das séries. Por exemplo, Maskman passou inteiro e com uma dublagem de qualidade, mesmo eles tendo mudado os nomes na versão francesa: O Takeru (Takeo, no Brasil) virou ‘Mickaël’, esse tipo de coisa. Ainda assim, foi uma série até bem cuidada. (…) Mas, eu acho que a série mais respeitada de todas, seja em matéria de distribuição de brinquedos, seja sobretudo na dublagem, continua sendo Liveman. Ali dá a impressão de que todo mundo entendeu que se tratava de uma excelente série Super Sentai, e isso se reflete no cuidado com a dublagem. Temos o [dublador francês] Mark Lesser, por exemplo, fazendo o vermelho, e se percebe que foi respeitado o tom sério da série do começo ao fim. Hoje dá para dizer, sem exagero, que aqui existe Bioman e, em segundo lugar, vem Liveman”.

Foi uma estratégia que deu muito certo na França, ao contrário do Brasil, que chamou Spielvan (1986) de “Jaspion 2”, para tentar repetir o mesmo sucesso de seu predecessor no Japão. O contexto da França foi totalmente diferente e isso só reforçou Bioman como um sinônimo de Super Sentai na França. Ou melhor, do tokusatsu em geral. Curiosamente, na dublagem de Maskman (Bioman 2), os heróis são chamados de “Bioman”. Porém, Liveman (Bioman 3) foi chamado pelo nome original do super esquadrão na dublagem francesa, mantendo a essência do seu roteiro dramático.

Os franceses não tiveram a mesma sorte que tivemos no Brasil com Flashman, que é, de longe, a melhor série Super Sentai já exibida no Brasil. Apesar dos pesares, a França teve a sorte de ter 7 séries Super Sentai exibidas oficialmente na TV. Além de Bioman, Flashman, Maskman e Liveman, o país ainda recebeu Turboranger (1989), Fiveman (1990) e Jetman (1991). Bioman se tornou uma marca forte que, até hoje, é referência de uma geração que acompanhou o auge do tokusatsu na TV francesa.

Jetman foi a última série Super Sentai na terra da Torre Eiffel | Divulgação: Toei

Desse período de Bioman até Jetman, Changeman (1985) foi a única série Super Sentai que não passou no país. Aqui no Brasil, o sucesso do Esquadrão Relâmpago é praticamente equiparado ao de Bioman na França (com os devidos contextos de cada nação). Não há uma razão específica para Changeman se manter inédito na França, embora haja teorias como a de que a série é “violenta demais” para o público do Club Dorothée, por mostrar personagens militares que usavam armas de fogo ou mesmo por ter o vilão Bazoo, líder do Império Gozma, ser uma cabeça com os órgãos pendurados (venhamos e convenhamos que Bioman também tinha seus momentos de extrema violência, como no primeiro episódio, por exemplo).

Fiveman teve cerca de cinco episódios exibidos na França, enquanto Jetman teve episódios selecionados e com censura — devido às cenas de violência. “Mesmo havendo episódios dublados em francês, não sabemos se toda a série (Jetman) chegou a ser dublada. É bem possível — e acho que isso foi até confirmado para algumas séries — que só metade tenha sido dublada e o resto não, porque eles já sabiam que não iam exibir tudo. Para eles (os licenciadores), era um conteúdo qualquer: ‘vendemos brinquedos, temos um horário na televisão, colocamos os episódios no ar’. Mesmo não tendo tudo, ok. Mesmo se censurado, não tinha problema. Eles só exibiam. Se a série acabasse depois de 20 episódios, pouco importava”, comenta Marvin Wingard, produtor de conteúdo do canal Toku Hill Zone e autor do livro Le Guide du tokusatsu: Kaijû, sentai et effets spéciaux japonais, des origines à nos jours (2024).

Universo Dorothée

Ícone francesa, Dorothée já participou de séries tokusatsu como Jiraiya e Black Kamen Rider | Divulgação

Algumas personalidades francesas foram essenciais para a história do tokusatsu no país. Uma delas é a atriz e cantora Dorothée, que, se você é um fã inveterado de tokusatsu, provavelmente vai se lembrar dela por participações em episódios de Black Kamen Rider (1987), Jiraiya (1988) e Liveman. Dorothée é equivalente à Xuxa ou até mesmo à Angélica no Brasil.

Era apresentadora do programa Club Dorothée, que foi ao ar pela emissora TF1 entre 2 de setembro de 1987 e 30 de agosto de 1997. Com produção de Jean-Luc Azoulay, em parceria com a AB Productions, o Club Dorothée passou a ser a casa das séries japonesas durante esse período. Guichaux explica que as séries Super Sentai “não chegaram imediatamente ao Club Dorothée”.

Bioman estreou na França em 1º de julho de 1985, como atração do programa Cabou Cadin (1984~1990), do Canal+. Segundo informações, a estreia do Club Dorothée contou com a volta de Bioman. O primeiro passo para a chegada de mais séries da franquia na França.

“Acho que essa história do Club Dorothée era realmente uma tentativa. Não gosto de dizer ‘criar um multiverso’, mas sim de conectar um pouco todas as séries que eram exibidas naquela época. O Bernard Minet canta (temas nacionais de) Bioman, mas também Os Cavaleiros do Zodíaco. Ao mesmo tempo, era da banda Les Musclés enquanto também fazia outras coisas, enfim. Essa pessoa gravita em torno de tudo o que você assiste quando era criança. É o seu herói, é a sua estrela. Diriam até que ele é o Bioman vermelho (Red One), comenta Adrien Maurizi, coapresentador do canal Toku Scope.

Capa de Génération Bioman, coletânea especial do cantor francês Bernard Minet | Divulgação

Bernard Minet, como citado acima, é o cantor original de “Os Guardiões do Universo”, o primeiro tema brasileiro de abertura do animê Os Cavaleiros do Zodíaco (1986). Minet é referência para esta geração francesa por interpretar versões nacionais de Bioman com selo da AB Productions, que só ganharam vida após a mudança para o Club Dorothée.

Aliás, todas as séries japonesas que passaram pelo extinto programa infantil tiveram suas respectivas trilhas sonoras francesas, quase sempre interpretadas por Minet. Ele ainda lançou uma coletânea com todas as canções em um álbum simplesmente intitulado como Génération Bioman. “Era preciso criar o universo da Dorothée. E isso também passava pelo som. Porque, afinal, todas as músicas — sejam de animê ou de tokusatsu — são baseadas no mesmo conceito, e muitas vezes até nas mesmas melodias”, explica Jordan Guichaux.

Só para fazer uma menção honrosa: a cantora francesa Sylvie Vartan serviu como inspiração para o nome do Alien Baltan, vilão do episódio 2 de Ultraman (1966). “Tem um vídeo muito engraçado em que ela (Sylvie Vartan) faz um show no Japão, e o monstro de Ultraman (Baltan) sobe ao palco para entregar flores a ela. Ela fica completamente perdida, sem saber o que se passa. É realmente hilário”, relembra Romain Taszek, ilustrador do livro Le Guide du tokusatsu: Kaijû, sentai et effets spéciaux japonais, des origines à nos jours (de autoria de Wingard).

O encontro entre cantora Sylvie Vartan e Alien Baltan (de Ultraman) virou manchete na imprensa japonesa | Reprodução

Quase sem Rider e Ultraman

Os franceses não tiveram a mesma sorte que tivemos em ver algumas séries da era clássica de Kamen Rider. O primeiro contato que a França teve com a franquia foi com a versão taiwanesa chamada Super Riders, adaptação de 1975 a 1976 que reuniu cenas de filmes das séries Kamen Rider V3 (1973), Kamen Rider X (1974) e dos filmes Kamen Rider vs. Shocker e Kamen Rider vs. Jigoku Taishi (ambos de 1972).

“Isso chegou a passar na França no cinema, nos anos 70, mas não despertou absolutamente nenhum interesse em importar as séries. Curiosamente, a França acabou focando em Metal Hero, Super Sentai, mas Kamen Rider… nada! E, no fim, nosso outro contato com Kamen Rider foi a série da Saban, Masked Rider, que era apresentada como um spin-off de Power Rangers. Porque até Ultraman, que nem falamos muito, na França é quase inexistente. Passaram Ultraman 80 (Eighty), mas acho que só alguns episódios, depois pararam de passar”, conta Wingard.

Curiosamente, Kamen Rider Black foi cogitado em algum momento para ser exibido na França — Dorothée participou do episódio 45 da série —, mas ninguém sabe ao certo o motivo de permanecer inédito por lá. A partir de 2013, os franceses tiveram seu primeiro produto original de Kamen Rider, com a chegada do mangá original de Shotaro Ishinomori, de 1971 (lançado no Brasil em 2021 pela Editora NewPOP).

Super Riders foi lançado em DVD na França | Divulgação

A falsa “caça às bruxas”

Tudo que faz sucesso incomoda, isso é fato. Aqui no Brasil, mais precisamente nos anos 1990 e 2000, algumas lendas urbanas, envolvendo séries japonesas, eram “comuns”. Tais boatos surgiam, infelizmente, nos meios religiosos. Séries como Jaspion e Os Cavaleiros do Zodíaco eram taxadas como “coisas do diabo” e absurdos do tipo.

Pasme: este que vos escreve já viu até um sujeito, do meio gospel, acusar Power Rangers de ser uma “criação de uma antiga seita japonesa” (Oi???). E, é claro, que tudo isso é mentira. Não existem provas. É coisa de gente que usa de má-fé para enganar pais de família e pessoas de bem a troco de nada.

Onde tem trigo, também há o joio. Essas lendas urbanas eram mais “restritas” no meio católico e evangélico — com exceção da polêmica de Gilberto Barros contra Yu-Gi-Oh! na primeira semana de junho de 2003, que ganhou repercussão em rede nacional e a alcunha de “o baralho do demônio”. Mas isso não é absolutamente nada se comparado com a polêmica falsa que surgiu na terra da Torre Eiffel.

A então deputada francesa Ségolène Royal defendeu a censura das séries japonesas | Divulgação

“Quando isso chegou à França, mais do que só o tokusatsu, tudo o que vinha do Japão foi demonizado. Diziam que era violento demais, que era algo que emburrecia. A reação foi muito negativa. Houve pais que proibiram seus filhos de assistirem ao Club Dorothée. Ao mesmo tempo que os videogames: houve um período em que as crianças eram proibidas de fazer quase tudo e de assistir a tudo isso”, comenta Taszek.

Pasme [2]: o problema é que essa forte reação surgiu no meio político da França, mais precisamente por parte da então deputada Ségolène Royal, membro do Partido Socialista e ex-ministra da ecologia, desenvolvimento sustentável e energia. Royal chegou a fazer um grande discurso na TV e até escreveu o livro Le Ras Le Bol Des Bebes Zappeurs (1989), defendendo a censura de produções japonesas na França e tornando Dorothée como “o alvo a ser abatido”.

Toda essa “caça às bruxas”, com proporção nacional, culminou no declínio do tokusatsu na França e, consequentemente, no fim do Club Dorothée em 1997. Jordan Guichaux frisa que Royal “não sabia absolutamente nada do que estava falando”, chegando a afirmar que Metalder, por exemplo, era “uma série totalmente embrutecedora e violenta”. Curiosamente, a deputada também dizia que “Bioman era muito melhor que Metalder”, validando, de alguma maneira, a série Super Sentai de 1984 como um marco cultural na França.

Aqui no Brasil, no auge de Jaspion e Changeman, a imprensa meio que ridicularizava esse tipo de produção. Já na França, o jogo era ainda mais sensacionalista, tentando associar produções japonesas ao nazismo. “Uma revista publicou uma capa nessa época, quando Goldorak (Grendizer) chegou nessa revista…, na capa dessa revista, colocaram…, para criticar essas produções japonesas, a metade da cara do Goldorak e a outra metade era… Hitler. Porque houve uma verdadeira rejeição a essas produções”, conta Wingard.

Goldorak (Grendizer) foi — ridiculamente — comparado a Hitler pela imprensa francesa | Reprodução

Tal repercussão virou uma crítica negativa na famosa série Asterix, do criador René Goscinny. No 33º álbum da série, intitulado aqui no Brasil como Asterix e o Dia em que o Céu Caiu (Le ciel lui tombe sur la tête, 2005), japoneses invadiram a Gália. Houve “uma reação totalmente visceral, inclusive dentro do meio artístico”. Eles tinham medo do fim da produção francesa e se sentiam ameaçados por tudo isso.

Mas nem mesmo esse burburinho apagou a chama das produções japonesas na França. “Hoje, somos o segundo maior país consumidor de mangá. Somos também um dos países com maior presença de youtubers de videogame, entre outras coisas. Se hoje existe a Japan Expo e tudo mais, é muito graças a isso. Os pais assistiam, os filhos assistem, os netos assistem”, conta Maurizi.

Tokusatsu ainda respira na França

France Five, o super esquadrão da França | Divulgação

A França é lembrada eventualmente por produzir sua própria série de tokusatsu, Jushi Sentai France Five (2000~2013), que teve até tema de abertura interpretado pelo grande Akira Kushida. France Five é conhecida no Japão, já foi mencionada em vários programas da emissora estatal NHK e tem sua parcela de fãs por lá. “É realmente uma carta de amor ao Super Sentai, sem precisar se apoiar diretamente em uma série específica de Sentai, sem precisar usar imagens de Super Sentai”, afirma Wingard.

Assim como no Brasil, os fãs franceses de tokusatsu seguem ativos, compartilhando séries e fazendo traduções para apresentar o gênero de produção para as novas gerações, seja por meio de séries mais recentes ou de clássicos. Os cinco produtores de conteúdo, entrevistados por Rafael Ribeiro, são membros da MCJP (Maison de la Culture du Japon à Paris; algo como “Instituto Cultural do Japão em Paris”), uma associação cultural voltada para promover/divulgar o tokusatsu no país, que tem despertado a curiosidade das pessoas. Espectadores que não conheciam Kamen Rider, por exemplo, puderam ter a oportunidade de conhecer a franquia e se aprofundar no tema.

Wingard explica a importância da MCJP. “É um centro cultural com o qual podemos conversar e tentar organizar coisas com eles. Existe uma base sólida de fãs, hoje, que querem promover o tokusatsu. Não é fácil. Ainda lutamos pela oferta legal, mas, aos poucos, começam a sair cada vez mais DVDs e Blu-ray de obras de tokusatsu. Vai acontecendo devagar… Tentamos nos manter firmes e dizer que o tokusatsu é bacana e que é preciso assistir ao tokusatsu!”.

O sucesso do tokusatsu na França também fez com que surgisse o mangá Shin Zero, que atualmente é publicado no Brasil pela editora Comix Zone. A obra criada pela dupla Mathieu Bablet e Guillaume Singelin é baseada nos filmes kaiju e principalmente nas séries Super Sentai.

Mangá francês, Shin Zero é publicado no Brasil pela editora Comix Zone | Divulgação: Comix Zone

O futuro do tokusatsu na França ainda é bastante promissor. Nos últimos anos, o país recebeu mais lançamentos oficiais de tokusatsu, como os primeiros filmes de Godzilla nos cinemas, além do recente Godzilla Minus One (2023). A distribuidora Roboto Films lançou em DVD títulos como os filmes Lady Battle Cop (1990), Kamen Rider ZO (1993) e Kamen Rider J (1994).

Ou seja, os franceses são um exemplo que devemos seguir quando se trata de tokusatsu. Por mais difícil que tenha sido a trajetória em determinado período, eles continuam resilientes e seguem em frente para que o gênero continue ativo.

Assista ao segundo vídeo dessa série sobre tokusatsu na França via canal TokuDoc:

PS: Nesta quarta (29), o canal Resistência Tokusatsu apresenta uma live sobre o tema, com a participação de Rafael Ribeiro. Assista na íntegra a live anterior sobre a primeira parte do especial sobre o tokusatsu na França (transmitida em 10 de junho de 2026):

*Agradecimentos ao Rafael Ribeiro.


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